«Deixar que os doentes morram enquanto esperam não é uma opção civilizada»

por Teresa Mendes | 19.10.2018

ESMO: Estudo revela «grandes variações» no tempo  da avaliação dos fármacos 
Uma nova investigação, que analisou o tempo que os países europeus demoram na disponibilização aos doentes os medicamentos para o tratamento do cancro, concluiu que «existem grandes variações».

O estudo foi apresentado esta sexta-feira, na conferência de Imprensa de abertura do ESMO 2018 Congress, a decorrer em Munique, Alemanha, até ao próximo dia 23 de outubro.

«Alguns países europeus demoram mais do que o dobro do tempo que outros para concluir as decisões de avaliação de tecnologias de saúde de forma a comparticipar novos medicamentos contra o cancro após a sua aprovação pela Agência Europeia de Medicamento (EMA)», salienta um press release, especificando que «o tempo médio de decisão é superior a um ano em alguns países».

O estudo apresentado incidiu sobre todos os novos medicamentos aprovados para o tratamento de tumores sólidos pela EMA entre janeiro de 2007 e dezembro de 2016, tendo sido analisado o tempo entre a aprovação da EMA para cada um dos fármacos e as decisões de avaliação tomadas pelas autoridades de saúde em quatro países europeus: Inglaterra, França, Alemanha e Escócia.

Os resultados para 47 fármacos, aprovados para 77 indicações de tumores sólidos, revelaram que o tempo médio desde a aprovação da EMA até à conclusão da avaliação foi de duas a três vezes mais tempo na Inglaterra (405 dias) e Escócia (384 dias) em comparação com Alemanha (209 dias) e França (118 dias).

«Em contraste com a aprovação centralizada de medicamentos anti cancro pela EMA, o tempo demorado para as decisões dos sistemas de avaliação das tecnologias em saúde permanece uma responsabilidade nacional», explicou a co-autora do estudo, Kerstin Vokinger, investigadora do Hospital Universitário de Zurique, Suíça, e afiliado da Harvard Medical School, Boston, EUA. 

«Alguns países europeus demoram mais do que o dobro do tempo que outros para concluir as decisões de avaliação de tecnologias de saúde de forma a comparticipar novos medicamentos contra o cancro após a sua aprovação pela EMA», salienta um estudo apresentado no ESMO 2018 

Segundo a cientista, «entre outros aspetos, a diferença no número de recursos investidos nas tais avaliações e as diferentes regulamentações nacionais em relação aos sistemas avaliação de tecnologias em saúde podem levar a uma variação no tempo de aprovação das decisões da EMA nos diferentes países».

Comentando estes resultados, Bettina Ryll, fundadora da Melanoma Patient Network Europe e presidente do Grupo de Trabalho de Defesa do Doente da ESMO, salientou o caso específico do melanoma: «Nós, no melanoma, ainda lamentamos as vidas que perdemos devido à introdução tardia e inconsistente de terapias inovadoras aprovadas.

É responsabilidade de um país garantir capacidade administrativa suficiente para que processos que foram implantados em benefício da sociedade não comecem a prejudicar os cidadãos.

E precisamos de abordagens mais pragmáticas para reduzir a incerteza.». «Simplesmente deixar que os pacientes morram enquanto esperam que os dados amadureçam não é uma opção civilizada», alertou a especialista.

O estudo constatou ainda que as autoridades de saúde geralmente tomam decisões com muito mais rapidez para medicamentos classificados como sendo de «maior benefício» na Escala de Benefício Clínico da ESMO (ESMO-MCBS) em comparação com aqueles com menor benefício clínico.

Contudo, os autores concluem que «a variação no tempo da aprovação dos medicamentos aprovados pela EM se manteve entre os diferentes países para esses medicamentos considerados de “maior benefício”».

Em França, o tempo mediano para uma decisão de ATS sobre medicamentos de «maior benefício» foi de 154 dias, comparado com 198 dias para medicamentos de menor benefício. Essas decisões mais rápidas para medicamentos com «maior benefício» também aconteceram no caso da Alemanha e da Inglaterra, mas esse mesmo tempo foi muito mais dilatado na Inglaterra (mediana 302 dias) do que na França ou na Alemanha (203 dias).

O grupo de investigadores planeia agora expandir a sua análise, incluindo mais países e a exploração do acesso a novos medicamentos por parte dos doentes, de forma individual.  

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19 de Outubro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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