Apormed preocupada com a dívida dos hospitais às empresas de dispositivos médicos

por Teresa Mendes | 23.10.2018

Atrasos no pagamento dos hospitais públicos é «um problema recorrente»
A dívida dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) às empresas de dispositivos médicos atingiram, em agosto, 288,5 milhões de euros.

Os prazos médios de pagamento são superiores a 300 dias, segundo dados da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (Apormed).

«O problema dos atrasos no pagamento dos hospitais públicos às empresas fornecedoras, nomeadamente de dispositivos médicos, é um problema recorrente», disse à Lusa o presidente da Apormed, João Gonçalves.

Contudo, como também salientou o responsável, «temos vindo a verificar neste segundo semestre é que a dívida hospitalar tem vindo a aumentar, essencialmente, porque há uma expectativa de uma verba de 500 milhões de euros que era para ter ocorrido já antes das férias de verão e não ocorreu», não havendo notícia de quando essa verba será desbloqueada.
 
A Apormed considera de «vital importância» o desbloqueio imediato dos 500 milhões de euros anunciados, apelando à Tutela para não reter esta verba até ao final do ano, como tem sucedido em anos anteriores, porque «iria agravar mais a situação atual» 

De acordo com os números mais recentes, que são de agosto e refletem o inquérito que A associação faz mensalmente às empresas, a dívida total situava-se nos 288,5 milhões de euros e a dívida vencida a mais de 90 dias rondava os 182,2 milhões de euros.

Quanto aos prazos médios de recebimentos, João Gonçalves disse que ultrapassaram já os 330 dias (334 dias) nos últimos meses, uma situação que a associação considera «inaceitável e francamente penalizadora» para as empresas.

«É um prazo médio muito elevado», contestou, contando que as empresas reportam à Associação «problemas do dia-a-dia relacionados com a falta de liquidez nas suas tesourarias» provenientes destes atrasos no pagamento.

Por esse motivo, a Apormed considera de «vital importância» o desbloqueio imediato dos 500 milhões de euros anunciados, apelando à Tutela para não reter esta verba até ao final do ano, como tem sucedido em anos anteriores, porque «iria agravar mais a situação atual».

Mas para João Gonçalves faltam também medidas estruturais que possibilitem resolver a questão da dívida dos hospitais públicos, «uma situação crónica» em Portugal, defendendo que as autoridades possam «atuar de forma semelhante» a outros países do Sul da Europa que conseguiram resolver a situação, dando como exemplo Espanha.

«Neste momento Portugal é o pior país da Europa ocidental, o que não nos prestigia e que faz com que este setor e este mercado seja menos atrativo para os players que neles operam», reforçou o presidente da Apormed.

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23 de Outubro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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