Serviços informáticos do MS «aniquilam trabalho médico»

por Teresa Mendes | 02.11.2018

Alerta do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos
O Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos (CRCOM) diz que o «péssimo funcionamento das várias aplicações informáticas disponibilizadas pela Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) está a prejudicar, há anos, o desenvolvimento do trabalho dos profissionais de saúde e a relação entre estes e os seus doentes».

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o CRCOM considera ser «inadmissível» o atual estado da informatização no Serviço Nacional de Saúde (SNS), acrescentando que «a situação é de tal forma grave que está a prejudicar e ameaçar o funcionamento das consultas na região Centro».


«À lentidão do sistema informático e ao seu frequente mau funcionamento somam-se agora novos procedimentos burocráticos obrigatórios para os médicos que tenham de emitir receitas em papel face à inoperacionalidade do sistema.

Isto é, de acordo com uma circular da SPMS, sempre que não seja possível emitir uma receita por via eletrónica é necessário informar um sistema administrativo de retaguarda para se gerar um número que deverá constar na receita em papel», lê-se na nota à Imprensa.

Segundo o presidente do CRCOM, Carlos Cortes, as consequências desta norma são de tal modo nefastas que deve obrigar a uma intervenção direta do Ministério da Saúde.

Além disso, o responsável diz que continuam a chegar denúncias ao Conselho Regional de casos que reportam «a demora de prescrição eletrónica de meios complementares de diagnóstico de mais de 45 minutos durante a mesma consulta» ou «especialistas a fazer os vários pedidos de exames complementares de diagnóstico em mais de seis tentativas».
«Este sistema está a ameaçar as consultas e a prescrição de exames complementares de diagnóstico.

Carlos Cortes considera ser «inadmissível» o atual estado da informatização no Serviço Nacional de Saúde (SNS), acrescentando que «a situação é de tal forma grave que está a prejudicar e ameaçar o funcionamento das consultas na região Centro»

A SPMS está a prejudicar ostensivamente o trabalho médico e os próprios doentes», afirma Carlos Cortes. 

«O tempo de consulta e a observação do utente ficam em perigo. A SPMS está a prejudicar a relação médico-doente que a Ordem dos Médicos pediu à UNESCO para ser considerada e protegida como Património Cultural Imaterial da Humanidade», acrescentou ainda o dirigente.

«As aplicações criadas pela SPMS estão a dificultar o desenvolvimento do SNS e impede que sejam realizadas, em tempo útil, mais consultas e mais cirurgias. O Ministério da Saúde tem de decidir se quer que os médicos tratem os doentes ou se despendam todo o seu tempo a resolver as inúmeras falhas e procedimentos desadequados devido ao mau funcionamento do sistema informático», conclui Carlos Cortes.

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02 de Novembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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