Livro reacende polémica do reordenamento das tarefas na saúde

por Teresa Mendes | 21.11.2018

Jorge Simões é um dos autores do estudo que diz que há médicos a mais
O livro «Saúde 2040 — Planeamento de médicos e enfermeiros em Portugal», da autoria do vice-reitor da Universidade de Aveiro, Eduardo Anselmo Castro, da investigadora Diana Lopes, e do ex-presidente da Entidade Reguladora da Saúde e ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde, Jorge Simões, promete reacender a polémica do reordenamento de tarefas na saúde.

Há cerca de um ano, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, manifestou-se contra as declarações de Jorge Simões à Antena 1, nas quais referia haver uma relação desfasada entre médicos e enfermeiros, dando a entender que pode haver um reordenamento de tarefas para outros profissionais de saúde.
Nessa sequência, a Ordem dos Médicos decidiu mesmo abandonar o Conselho Nacional de Saúde, que recentemente veio integrar novamente, após a renúncia ao cargo por parte do Jorge Simões, casado com Marta Temido, que tomou posse há cerca de um mês como ministra da Saúde, substituindo Adalberto Campos Fernandes.

O livro «Saúde 2040 — Planeamento de médicos e enfermeiros em Portugal» promete reacender a polémica do reordenamento de tarefas na saúde

Lançado esta terça-feira, em Lisboa, este livro, uma edição Almedina, conclui que a proporção de enfermeiros por médico deveria aumentar em Portugal 31% num quarto de século, passando de apenas 1,39 (2014), um dos rácios mais baixos dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), para 1,82 em 2040.

Para os autores, a atual proporção entre enfermeiros e médicos em Portugal é reduzida, «o que se repercute não só na despesa do Estado, como na forma como as tarefas são distribuídas nas unidades de saúde».

Financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, esta investigação avaliou vários cenários, mas os resultados apontam para a necessidade de uma diminuição de 4% do número de médicos por mil habitantes — passando de 4,43 (2014) para 4,24 em 2040 — e para um aumento de 26% do número de enfermeiros por mil habitantes — de 6,13 para 7,72, dentro de um quarto de século.

Para isso, o estudo prevê uma diminuição das vagas em Medicina até 2031, com apenas 638 entradas previstas nesse ano, contra as cerca de duas mil atualmente, e um novo aumento até 2034 (744 entradas nesse ano).  

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21 de Novembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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