Inclusão de optometristas no SNS é um grande risco para os doentes

por Teresa Mendes | 27.11.2018

Bastonário da OM reafirma preocupação 
A tensão entre a Ordem dos Médicos (OM) e os optometristas está a aumentar. A Associação dos Optometristas acusa a OM de tentar travar propostas legislativas, mas o bastonário da OM volta a afirmar que a inclusão destes técnicos no SNS pode representar «um grande risco para a saúde dos doentes».

«Sem uma regulamentação jurídica de competências adequada, com autonomia para a prestação de cuidados de saúde visual, sem supervisão por um oftalmologista, constituiria um enorme retrocesso na qualidade, e um grande risco para a saúde dos doentes», salienta o bastonário da OM, Miguel Guimarães num comunicado conjunto com o Colégio de Oftalmologia, publicado esta segunda-feira. 

De acordo com o presidente da direção deste colégio, Augusto Magalhães, «nas últimas semanas temos assistido a numerosas intervenções públicas de alguns grupos de óticos e de optometristas, nomeadamente através da publicação de artigos sobre temas de Medicina como se fossem médicos especialistas».

Este dirigente alerta ainda para «a publicitação de reuniões para promover a prática de rastreios de doenças que, pela complexidade da sua abordagem, exigem cuidados altamente diferenciados».

«É preocupante a forma como estes grupos e profissionais estão a agir e, sobretudo, a forma como estão a conseguir convencer os grupos parlamentares a intervir publicamente sobre esta temática», considera Miguel Guimarães na nota à Imprensa

Na semana passada, a Associação de Profissionais Licenciados em Optometria (APLO) dizia estar «indignada com as pressões que estão a ser conduzidas, pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), pelo Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa de Ortoptistas, para que os optometristas não integrem o SNS, ajudando assim a reduzir a lista de espera para primeira consulta de Oftalmologia, que já ultrapassa as 200 mil consultas anuais».

A tensão entre a Ordem dos Médicos (OM) e os optometristas está a aumentar. A Associação dos Optometristas acusa a OM de tentar travar propostas legislativas, mas o bastonário da OM volta a afirmar que a inclusão destes técnicos no SNS pode representar «um grande risco para a saúde dos doentes»

Em causa estão duas propostas legislativas (do PAN e do PCP) para que os optometristas integrem os cuidados de saúde primários do SNS.

A APLO esclarece ainda, em resposta às acusações proferidas, que «A Direção-Geral do Ensino Superior classifica os planos de estudos universitários de Optometria exatamente na área da saúde e que os mesmos estão acreditados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.

A APLO é constituída exclusivamente por licenciados de Optometria, sendo que mais de 80% possuem mestrado (5 anos) ou licenciatura (4 anos e meio) com estágio profissional incluído, como mínimo, à semelhança de esmagadora maioria dos países europeus e mais avançados no mundo».

No entanto, para a SPO e para o Colégio de Oftalmologia, «o grupo dos optometristas, destaca-se por ser muito heterogéneo em termos curriculares tendo, na melhor das hipóteses, três anos de formação no total», enquanto «o oftalmologista é um médico com seis anos de formação específica em Medicina Geral e que, para além da sua formação básica, fez uma especialização de mais quatro anos em Oftalmologia médica e cirúrgica, em serviço hospitalar certificado pela Ordem dos Médicos (tal como previsto na lei), para formação médica especializada».  

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27 de Novembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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