Ministério e Ordem dos Médicos contra inclusão de vacinas sem ouvir DGS

por Teresa Mendes | 30.11.2018

Universalização de certas vacinas deve ser sustentada por «critérios técnicos»
O Parlamento aprovou, esta terça-feira, a inclusão das vacinas da meningite B, rotavírus e HPV para os rapazes, mas a ministra da Saúde, Marta Temido, lembra que a Direção-Geral da Saúde (DGS) não foi ouvida neste processo, defendendo que os técnicos que têm vindo a ocupar-se das análises a propostas de vacinas «têm enorme credibilidade» e já desempenham essa função há muitos anos.

«Temos um Plano Nacional de Vacinação que tem sido construído ao longo dos anos com muito bons resultados em termos da cobertura vacinal e da adesão dos portugueses. Há uma grande confiança técnica na independência da DGS para construir aquelas que são as melhores políticas vacinais», defendeu esta quarta-feira, em declarações à RTP, considerando ainda que a «universalização de determinadas vacinas» deve ser sustentada por «critérios técnicos muito precisos e rigorosos», da competência da Comissão Nacional de Vacinação e da DGS. 

Por esses motivos, a governante anunciou que «vai aguardar pela redação final da norma relativa às três vacinas» que, por proposta de alteração ao Orçamento do Estado, vão ser incluídas no Plano Nacional de Vacinação (PNV).

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, em sintonia com a ministra, considerou também, em declarações à Lusa, que esta foi «uma má decisão da Assembleia da República por ser feita sem ouvir a DGS» e que «é uma falta de respeito pelos profissionais de saúde e pela própria DGS».

O Parlamento aprovou a inclusão das vacinas da meningite B, rotavírus e HPV para os rapazes, mas a ministra da Saúde lembra que a DGS não foi ouvida neste processo, defendendo que os técnicos que têm vindo a ocupar-se das análises a propostas de vacinas «têm enorme credibilidade»

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, lamentou igualmente não ter sido ouvida.
«O Parlamento, e bem, porque é uma prerrogativa sua, ouviu quem entendeu. Ouviu a indústria farmacêutica, ouviu outras entidades e não ouviu a DGS nem a comissão técnica de vacinação presencialmente.
Gostaria que tivesse sido ouvida», tendo a responsável acrescentado que, ao longo dos tempos, têm sido enviados pareceres sobre vacinas, incluindo estas, para a Comissão Parlamentar de Saúde.

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30 de Novembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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