Mais de 150 mil crianças e jovens sem médico de família em Portugal

por Teresa Mendes | 05.12.2018

Estudo do Conselho Nacional de Saúde 
Há mais de 150 mil menores sem médico de família em Portugal, segundo um estudo do Conselho Nacional de Saúde (CNS) apresentado hoje na Assembleia da República, no âmbito do 2.º Fórum do CNS.
A Madeira é a região mais afetada do país com 40% sem médicos, seguida de Lisboa.

No estudo «Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal», resultante do segundo ano de atividade deste Conselho, os peritos concluem que mais de dois anos após a lei que estabelece que nenhuma criança deve ficar privada de médico de família, mais de 150 mil crianças ainda não têm.

«Continuam a existir obstáculos à atribuição de médico de família a todos os menores de 18 anos, que são particularmente preocupantes na região de Lisboa e Vale do Tejo, mas também nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira», refere o relatório.

Há mais de 150 mil menores sem médico de família em Portugal segundo um estudo do Conselho Nacional de Saúde (CNS), apresentado hoje na Assembleia da República, no âmbito do 2.º Fórum do CNS. A Madeira é a região mais afetada do país com 40% sem médicos, seguida de Lisboa 

Segundo dados relativos a 31 de outubro deste ano, eram 153 mil as crianças e jovens até aos 18 anos sem médico de família em Portugal.
A região de Lisboa e Vale do Tejo era a que registava maior número de menores sem médico de família, sendo quase 110 mil.

Contudo, em termos percentuais, a região da Madeira é que tem a maior proporção de menores sem médico de família, sendo quase 40%. Segue-se Lisboa, com 16%, os Açores, com 11,8% e o Algarve, com 11,4%.

No Norte, não chega a 1% a proporção de menores de 18 anos sem médico de família, no Centro são 1,9% e no Alentejo 3,3%.

Oferta de cuidados de saúde mental é «muito deficiente»

No relatório, ao qual a Lusa teve acesso, é também concluído que a oferta de cuidados de saúde mental dirigidos a crianças e jovens em Portugal «é muito deficiente», havendo poucos serviços de Psiquiatria específicos e com recursos escassos, além de faltarem psicólogos nos centros de saúde.

«A oferta de cuidados de saúde mental da infância e da adolescência está longe de suprir as necessidades da população e muito longe das metas traçadas no Plano Nacional de Saúde Mental», lê-se no documento.

Cobertura vacinal «insuficiente» contra o sarampo

O CNS alerta igualmente para a cobertura vacinal «insuficiente» contra o sarampo em várias zonas do país, nomeadamente no Algarve.

A análise à cobertura da segunda e última dose da vacina contra o sarampo, parotidite e rubéola nas crianças nascidas em 2011, que completaram seis anos em 2017, mostra «várias disparidades» entre agrupamentos de centros de saúde (Aces).

«Nenhum dos Aces da região do Algarve regista uma cobertura vacinal superior a 95%, registando o Aces Algarve Central uma cobertura vacinal inferior a 90% (89,4%)», exemplifica o relatório.

Também nas áreas urbanas de Lisboa havia em 2017 agrupamentos com cobertura da segunda dose da vacina do sarampo abaixo dos 90%, como Aces Lisboa Norte, Cascais e Amadora, que tinham «coberturas particularmente baixas», entre os 85% e os 88%.

Escolas devem limitar acesso a alimentos menos saudáveis

Outra recomendação do CNS é que as escolas devem limitar o acesso a alimentos menos saudáveis, apontando o relatório várias deficiências no controlo dos alimentos dentro dos estabelecimentos de ensino.

«As escolas parecem não conseguir monitorizar eficazmente a oferta de alimentos que é feita nos seus bufetes e cantinas», salientam os peritos.

Desta forma, o CNS recomenda que «o combate à obesidade infantil seja intensificado através de mais medidas de limitação do acesso e publicidade a produtos alimentares não saudáveis, nomeadamente dentro dos estabelecimentos de ensino».

Alargamento da licença parental

O CNS considera ainda que as mães devem ficar em casa seis meses depois do parto, tendo como base a recomendação da Organização Mundial da Saúde de aleitamento materno até ao meio ano de vida.

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05 de Dezembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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