«Estão a ser afetados doentes de extrema gravidade»

por Teresa Mendes | 06.12.2018

Greve dos enfermeiros: Presidente da APAH alerta para adiamento de cirurgias 
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) alertou esta quarta-feira que a paralisação dos enfermeiros, que dura há semana e meia e se vai prolongar até ao final do mês, está a deixar os blocos operatórios numa situação «extremamente grave».

Em entrevista à Antena 1, o dirigente avisou que há doentes que não podem esperar muito tempo por uma intervenção. 

«Estão a ser afetados doentes de extrema gravidade que aguardam cirurgia e que se não a tiverem em tempo útil vão ver o seu estado de saúde ou degradar-se ou não ser recuperável.
Nunca vivemos uma situação desta natureza e estamos num estado de elevada preocupação sobre a saúde individual dos doentes», reforçou o dirigente.

O presidente da associação dos administradores hospitalares defendeu ainda que que o Ministério da Saúde deve tomar uma posição e, se não conseguir impedir a greve, que revele quais os casos graves, em nome do interesse público.

«A população tem direitos, muita dela está a aguardar cirurgia em casa, vê as cirurgias canceladas, não agendadas e é importante que todos tenhamos consciência da consequência desta greve que já perdura há praticamente duas semanas», justificou o responsável.

No mesmo dia, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, na abertura do Congresso da Secção Regional Sul da OE, em resposta a Alexandre Lourenço, afirmou que a greve «é um caminho necessário, que visa valorizar todas as pessoas incluindo o país, é um país que está doente, um país que não cuida do seu SNS».

«Estão a ser afetados doentes de extrema gravidade que aguardam cirurgia e que se não a tiverem em tempo útil vão ver o seu estado de saúde ou degradar-se ou não ser recuperável. Nunca vivemos uma situação desta natureza e estamos num estado de elevada preocupação sobre a saúde individual dos doentes», reforçou Alexandre Lourenço 

«Se chegarmos àquilo que poderá ser uma requisição civil, o que vos posso dizer é: resistam, porque estaremos cá para resistir por vocês», sublinhou ainda a bastonária.

Ana Rita Cavaco garante que entende o problema em relação ao adiamento de «quatro mil cirurgias», mas não percebe que «não se consiga chegar a acordo com uma classe a quem o país deve milhares de horas».

A entrevista do presidente da APAH pode ser ouvida aqui  

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06 de Dezembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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