Crianças com epilepsia e convulsões têm maior risco de desenvolver distúrbios psiquiátricos

por Teresa Mendes | 07.12.2018

Estudo publicado na The Lancet Child & Adolescent Health 
Crianças com epilepsia e convulsões febris - com e sem epilepsia concomitante - correm um maior risco de desenvolver vários distúrbios psiquiátricos na sua vida futura.
A conclusão é de um estudo publicado quinta-feira na The Lancet Child & Adolescent Health, que acompanhou 1.291.679 indivíduos nascidos na Dinamarca entre 1 de janeiro de 1978 e 31 de dezembro de 2002.

O estudo de coorte nacional, intitulado «Childhood seizures and risk of psychiatric disorders in adolescence and early adulthood: a Danish nationwide cohort study», foi baseado em registos de todos os indivíduos nascidos na Dinamarca de 1978 a 2002.
Os participantes foram categorizados de acordo com a ocorrência de convulsões febris e epilepsia, antes de fazerem 10 anos de idade, sendo depois acompanhados até ao início da doença mental, morte, emigração ou no final do período do estudo, em 31 de dezembro de 2012. 

Crianças com epilepsia e convulsões febris correm um maior risco de desenvolver vários distúrbios psiquiátricos na sua vida futura. A conclusão é de um estudo publicado na The Lancet Child & Adolescent Health, que acompanhou 1.291.679 indivíduos nascidos na Dinamarca 

Foram usadas análises de regressão de Cox para estimar o risco de cinco grupos pré-definidos de transtornos psiquiátricos (abuso de substâncias, esquizofrenia, transtorno de humor, ansiedade e transtorno de personalidade), separadamente e combinados.

Dos 1.291.679 indivíduos, 43 148 tinham história de convulsões febris, 10 355 tinham epilepsia e 1696 os dois distúrbios. 83 735 (6%) dos elementos da coorte foram identificados com pelo menos um distúrbio psiquiátrico.

Os investigadores concluíram que o risco de qualquer distúrbio psiquiátrico foi aumentado em indivíduos com história de convulsões febris (taxa de risco [HR] 1 12, 95% CI 1 08–1 17), epilepsia (1 34, 1 25–1 44), ou ambas as desordens (1 50, 1 28 - 1 75).

O excesso de risco de doença psiquiátrica associada a convulsões na infância demonstrou estar presente em vários distúrbios, principalmente na esquizofrenia, mas também em transtornos de ansiedade e de humor.
As associações não diferiram entre homens e mulheres (p = 0, 30), mas aumentaram com o aumento do número de internamentos por convulsões febris (p <0,0001) e com o início tardio da epilepsia infantil (p <0,0001).

Em suma, as crianças com epilepsia e convulsões febris - com e sem epilepsia concomitante - correm maior risco de desenvolver uma ampla gama de distúrbios psiquiátricos mais tarde na vida, sendo necessária, segundo os autores, «a clarificação dos mecanismos subjacentes atribuíveis a essas associações para identificar possíveis opções de prevenção».

O estudo pode ser consultado aqui 

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07 de Dezembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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