Estudo aponta para «forte desinvestimento» nos cuidados de saúde primários

por Teresa Mendes | 07.12.2018

Número de novas USF a abrir este ano foi o mais baixo de sempre
O número de Unidades de Saúde Familiar (USF) a iniciar atividade este ano foi o mais baixo de sempre. Abriram apenas 16 novas unidades, segundo um estudo realizado pela Associação Nacional das USF, apresentado esta sexta-feira, em Lisboa, que aponta para um «forte desinvestimento» nos cuidados de saúde primários.

Intitulado «O momento atual da reforma dos cuidados de saúde primários 2017/2018», o estudo, considera que o reduzido número de unidades abertas este ano «é um sinal muito forte de desinvestimento e a maior ameaça desde o início da reforma» dos cuidados de saúde primários, que arrancou em 2005.

O documento realça ainda o facto de nenhuma das USF de modelo A ter passado este ano para modelo B.

Segundo o inquérito feito aos coordenadores das USF, apesar de a esmagadora maioria (91,4%) das unidades de modelo A pretender passar para o modelo B, isso «não lhes está a ser permitido».

Segundo o estudo há atualmente no país 501 USF, abrangendo mais de nove mil profissionais que prestam cuidados a seis milhões de pessoas.

Assente em inquéritos feitos entre abril e maio deste ano, e reportando-se à situação vivida nos últimos 12 meses antes dessa data, o documento revela uma crescente insatisfação dos profissionais de saúde com a reforma dos cuidados de saúde primários e com a atuação do Ministério da Saúde.

«A apreciação que os coordenadores fazem do momento atual da reforma e do Ministério da Saúde deteriorou-se de um modo muito marcado.
Os mais insatisfeitos aumentaram quatro vezes na sua apreciação em relação ao Ministério da Saúde (nunca houve tantos)», lê-se no documento, ao qual a Lusa teve acesso prévio.

O nível de insatisfação expresso é maior para com o Ministério da Saúde, seguindo-se a Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

Um dos problemas destacados no documento é justamente «o deficiente funcionamento» dos sistemas informáticos. «Mais de 70% das USF ficaram mais de 10 vezes num ano sem acesso informático e 30% destas mais de 50 vezes», apurou o estudo.

O estudo considera que o reduzido número de unidades abertas este ano «é um sinal muito forte de desinvestimento e a maior ameaça desde o início da reforma» dos cuidados de saúde primários, que arrancou em 2005

Além disso, «nove em cada dez unidades teve pelo menos uma vez falta de material considerado básico, sendo que em 72% dos casos o problema demorou mais de 48 horas a ser resolvido».

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