OE pede intervenção de António Costa para o que diz ser uma «calamidade»

foto de "DR" | 11.12.2018

Cirurgias reagendadas a partir de janeiro, garante Marta Temido 
A ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta sexta-feira que as cirurgias adiadas devido à greve dos enfermeiros, que calculou em 4000, vão ser reagendadas a partir de 1 de janeiro de 2019.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE) aponta para um número maior de cirurgias adiadas (5000) e já pediu a intervenção do primeiro-ministro para o que apelida de «calamidade».

Em declarações aos jornalistas após uma reunião com as administrações dos cinco hospitais afetados pela greve, a ministra da Saúde afirmou que findo este período de greve, que espera que «termine o mais rapidamente possível», estes doentes serão reagendados «desejavelmente a partir de 1 de janeiro de 2019».

«Daqui até lá continuaremos a trabalhar com as estruturas sindicais que se mantêm a negociar no sentido de encontrar o melhor acordo dentro daquilo que são as possibilidades do Governo, do país e daquilo que é o interesse dos sindicatos para sairmos desta situação que consideramos que é preocupante, mas para a qual temos de olhar dando-lhe a devida proporção», declarou a governante.

A bastonária da OE escreveu uma carta ao primeiro-ministro a avisar que Portugal está perante «uma catástrofe e uma calamidade sem precedentes com 5000 cirurgias adiadas» 

Marta Temido sublinhou que em termos numéricos a adesão dos enfermeiros a esta greve «em média ronda os seis, sete por cento» e apesar de ser «uma greve muito agressiva pois implica um núcleo muito importante da atividade hospitalar, da atividade assistencial, que são os blocos operatórios, onde há constrangimentos como listas de espera e as de gestão das mais diversas».

«Não será possível nos próximos anos recuperar desta catástrofe»

Já a bastonária da OE escreveu esta sexta-feira ao primeiro-ministro a avisar que Portugal está perante «uma catástrofe e uma calamidade sem precedentes com 5000 cirurgias adiadas», pedindo a intervenção urgente de António Costa para encontrar «uma solução para a carreira e para a contratação de mais enfermeiros».

«Não será possível nos próximos anos recuperar desta catástrofe», escreve Ana Rita Cavaco, sobre a greve de enfermeiros em blocos operatórios que se prolonga há duas semanas e vai continuar até ao final deste mês.

Na carta a que a agência Lusa teve cesso, a bastonária refere que constatou «com enorme surpresa» a marcação de uma audiência pedida à ministra Marta Temido para dia 17 de dezembro, considerando que a ministra preferiu «receber outras ordens profissionais, não se mostrando disponível para dialogar sobre uma situação desta gravidade».

Ana Rita Cavaco termina lembrando ao primeiro-ministro que a cada dia que passa são adiadas 500 cirurgias, «sem que exista uma negociação séria com os sindicatos».

Recorde-se que a greve cirúrgica dos enfermeiros, que termina em 31 de dezembro, está a decorrer nos blocos operatórios do Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), no Centro Hospitalar Universitário do Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e no Centro Hospitalar de Setúbal.

Foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), embora inicialmente o protesto tenha partido de um movimento de enfermeiros que lançou um fundo aberto ao público que recolheu mais de 360 mil euros para compensar os colegas que aderissem à paralisação.

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10 de Dezembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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