Marta Temido diz que «não abundam pediatras no país»

13.12.2018

Demissões no HDE: Bastonário pede à ministra da Saúde que resolva situação
 O bastonário da Ordem dos médicos (OM) apelou esta quarta-feira à ministra da Saúde para que resolva «a situação complicada» do hospital Dona Estefânia.
Em causa está o anúncio público da demissão dos chefes de equipa da Urgência, demissão essa que já tinha sido apresentada em outubro. Ministra diz que «não abundam pediatras no país».

Numa visita que realizou ao hospital e após reunião com a equipa demissionária, Miguel Guimarães disse aos jornalistas que os chefes de Serviço já tinham feito vários alertas à administração, no sentido de ser «absolutamente essencial a contratação de mais médicos» para o Serviço.

«Estes médicos pediram a demissão porque neste a situação no serviço de urgência é muito complicada», reforçou o dirigente, apresentando como exemplo da falta de pessoal o facto de os planos de contingência do hospital não conseguirem ser assegurados entre 90 a 100 por cento.

«A tutela sabe desta situação e não pode ignorar as necessidades deste hospital que serve uma população pediátrica importante e ninguém do Ministério falou com os clínicos demissionais», acrescentou Miguel Guimarães que aproveitou a ocasião para fazer um apelo à ministra da Saúde para que conheça a situação do hospital pediátrico, garantindo que há médicos que estão dispostos a trabalhar no hospital.

Hospital de D. Estefânia é «uma das jóias da coroa»

Os chefes de equipa já pediram à administração a contratação de 12 especialistas e esses pedidos já entraram na plataforma digital do Ministério da saúde, mas sem sucesso, revelou Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da OM, também presente na visita realizada ao hospital.

«A tutela sabe desta situação e não pode ignorar as necessidades deste hospital que serve uma população pediátrica importante e ninguém do Ministério falou com os clínicos demissionais», disse Miguel Guimarães 

No mesmo dia, e durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a ministra da Saúde assumiu que o Hospital de D. Estefânia é «uma das joias da coroa» e não pode ser desfalcado, mas lembrou que «não abundam pediatras no país» e que a unidade já conta com 80 destes profissionais, havendo a necessidade de se ser «muito cuidadoso» na forma como são distribuídos pelos vários hospitais do país os profissionais disponíveis.

De qualquer forma, Marta Temido garantiu que vai acompanhar a situação dos pedidos de demissão destes responsáveis, sem antes dizer que estas podem ser vistas de duas formas: «ou como sinais de que algo não vai bem ou como formas de descredibilizar o sistema».

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13 de Dezembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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