Enfermeiros mantêm-se irredutíveis quanto à greve

por Teresa Mendes | 25.12.2018

Reunião com ministra da Saúde termina sem acordo 
A reunião entre a ministra da Saúde e os sindicatos dos enfermeiros não foi suficiente para fazer recuar na decisão da greve. Marta Temido acredita que o consenso vai ser atingido, mas nem todas as estruturas sindicais consideram que esse caminho seja possível, mantendo a paralisação prevista para o próximo mês.

«Esta reunião foi para avaliação do ponto de situação sobre o estado da profissão de enfermagem e não uma negociação de carreiras e a expectativa é que, no início do novo ano, haja condições para aprofundar esta negociação», disse a ministra da Saúde, esta sexta-feira, no final do encontro.

«Temos que dar passos no sentido de nos aproximar, é isso que vamos fazer em janeiro, mas têm de ser passos com algumas linhas vermelhas e toda a sociedade tem de perceber por que é que elas existem», sublinhou a governante, citada pela agência Lusa.

Marta Temido disse querer acreditar que «esses passos sejam suficientes para um consenso com os sindicatos, porque as várias profissões aqui envolvidas e as outras profissões da saúde, a administração pública e os trabalhadores do setor privado terão muita dificuldade em perceber que haja uma reivindicação de passar um salário base que é de 1200 euros para 1600 euros ou uma remuneração de especialista para 2700 euros».

«Compreendo as expectativas, mas são caminhos que temos de percorrer em conjunto e não vamos conseguir percorrê-los se estivermos de costas voltadas. Foi por isso que esta reunião hoje existiu», vincou Marta Temido.
Contudo, nem todos os sindicatos acreditam poder chegar a acordo em janeiro.

No final da reunião, Lúcia Leite, da Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE), um dos dois sindicatos que convocou a greve nos blocos operatórios de cinco centros hospitalares do país, disse que a greve de 45 dias prevista para janeiro se vai manter.

A reunião entre a ministra da Saúde e os sindicatos dos enfermeiros não foi suficiente para fazer recuar na decisão da greve. Marta Temido acredita que o consenso vai ser atingido, mas nem todas as estruturas sindicais consideram que esse caminho seja possível, mantendo a paralisação prevista para o próximo mês

Segundo Lúcia Leite, o encontro de hoje foi «uma tentativa de sensibilização dos sindicatos para pararem a greve», mas, afirmou: «Não vamos parar».

«O Ministério manteve exatamente as posições que tem tido até agora, fez um jogo de propostas e contrapropostas (…) e nós entendemos que a contraproposta que o Governo apresenta não responde às reivindicações dos dois sindicatos», que não aceitam «uma carreira que não tenha a categoria de especialista».

Por isso, «mantemos a greve em janeiro», disse Lúcia Leite, adiantando que, entretanto, há um «período de tempo sem greve que permitirá ao Governo negociar» com os dois sindicatos, estando a próxima reunião negocial marcada para 2 de janeiro.

«Esperamos que a posição deixe de ser uma posição irredutível e que haja uma reunião onde possamos efetivamente esgrimir os argumentos de ambas as partes», frisou.

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24 de Dezembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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