Hospitais vão receber primeiros medicamentos derivados de plasma português

por Teresa Mendes | 04.01.2019

Fármacos resultam de dádivas benévolas de sangue 
Os hospitais vão receber, no início deste ano, os primeiros medicamentos derivados do plasma, resultante das dádivas benévolas de sangue colhidas em Portugal, anunciou esta quinta-feira o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST).

«Pela primeira vez, em Portugal, vamos ter medicamentos derivados do plasma obtidos a partir de plasma colhido em Portugal», disse à agência Lusa, o presidente do IPST, João Paulo Almeida e Sousa.

A medida insere-se numa estratégia do instituto de fazer «o máximo aproveitamento para o país das dádivas benévolas de sangue» e é a conclusão da primeira fase do Plano Estratégico Nacional de Fracionamento do Plasma, com a utilização de 30 mil litros de plasma, colhidos na rede do IPST, explicou João Paulo Almeida e Sousa.

«É o epílogo de um longo caminho que, durante anos, se trilhou e que, finalmente, foi possível concluir, depois do lançamento de um concurso de diálogo concorrencial, inédito no nosso país», sublinhou.

O aproveitamento para a produção dos medicamentos derivados do plasma de maior consumo nacional - albumina humana, imunoglobulina humana e fator VIII - representa cerca de dois milhões de euros neste primeiro lote.

Segundo o presidente do IPST, este fornecimento de medicamentos derivados do plasma representa «ganhos económicos», com a redução da dependência externa e a diminuição da importação, mas também um «retorno importante que é, em termos morais e éticos», respeitar «a dádiva benévola e altruísta e não remunerada dos portugueses».

Os hospitais vão receber, no início deste ano, os primeiros medicamentos derivados do plasma, resultante das dádivas benévolas de sangue colhidas em Portugal, anunciou o Instituto Português do Sangue e da Transplantação

Por outro lado, apontou, «é um contributo para a suficiência nacional em alguns derivados do plasma, além da utilização do plasma para transfusão» no qual Portugal é autossuficiente.

João Paulo Almeida e Sousa explicou que os medicamentos agora obtidos «não satisfazem as necessidades universais do país», porque Portugal não tem escala, «em termos de volume de colheitas a nível nacional, que permita vir a extrair todos os medicamentos derivados do plasma».

Relativamente ao consumo nacional e no que respeita aos três medicamentos que foram obtidos neste procedimento concursal, a albumina corresponde a cerca de 35% do consumo nacional, o fator oito a cerca de 25% e a imunoglobulina humana a cerca de 20% do consumo nacional, sustentou.

De qualquer forma, «é um contributo importante porque estamos a conseguir pela primeira vez medicamentos derivados do plasma que eram importados na totalidade», frisou.

O presidente do IPST adiantou que o instituto irá agora avançar para uma segunda fase do Plano Estratégico Nacional de Fracionamento do Plasma, que vai implicar um novo concurso a realizar durante este ano em que entrará, além do plasma do instituto, o plasma dos hospitais.

«No primeiro concurso foram para fracionamento 30 mil litros de plasma do IPST e no próximo concurso esperamos ter 50 mil litros do instituto e dos hospitais», adiantou João Paulo Almeida e Sousa.

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04 de Janeiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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