Divulgação de manifesto é «ilegítima», diz diretor clínico do CHULC

por Teresa Mendes | 09.01.2019

Profissionais vão enviar documento para o Presidente da República
O diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) defendeu esta terça-feira que a divulgação pública do manifesto de diretores clínicos a alertar para a «gravidade das condições de trabalho» é «completamente inadequada e ilegítima».

Em reação enviada à Lusa sobre a divulgação do manifesto assinado por todos os diretores clínicos e responsáveis de especialidade do CHULC, Luís Nunes, declarou que foi «com surpresa» que tomou conhecimento da divulgação pública de um documento interno, aprovado em reunião da Comissão Médica.

«Desconheço se é o documento aprovado nesta reunião ou uma versão diferente, o que não é irrelevante.
Em qualquer circunstância, enquanto diretor clínico, considero que a divulgação pública deste documento interno da Direção Clínica nos termos em que foi feita é completamente inadequada e ilegítima e não serve os interesses do CHULC.

Será a última vez que enquanto diretor clínico me pronunciarei sobre este assunto», afirmou Luís Nunes à Lusa.

Este responsável disse também que lembrou no início da reunião da Comissão Médica que este é «um órgão técnico que reúne institucionalmente» e que os assuntos tratados e documentos aprovados deviam ser-lhe remetidos «para os encaminhar para as instâncias adequadas».
No documento, ao qual a Lusa teve acesso, os signatários afirmam que têm alertado ao longo destes últimos anos, através de cartas e ofícios dirigidos às estruturas hierárquicas, para os constrangimentos vários que impedem a realização da sua principal função: «Assistência de qualidade aos doentes» que os procuram.

O diretor clínico do CHULC, Luís Nunes, defendeu esta terça-feira que a divulgação pública do manifesto de diretores clínicos a alertar para a «gravidade das condições de trabalho» é «completamente inadequada e ilegítima»

Além da deterioração das condições de trabalho, «com riscos para quem mais interessa, os doentes, esta situação comprometerá no curto prazo a capacidade assistencial, levando ao encerramento de serviços, a começar pelos das diversas urgências que o centro hospitalar disponibiliza, por falta de condições mínimas, ou ausência mesmo de quaisquer condições de elementar segurança para o seu normal funcionamento», alertam os subscritores.

«O trabalho diário passou a gestão permanente de crises», afirmam, considerando «estar agora seriamente comprometida a sua dupla capacidade de prestação assistencial e de treino médico».

A Rádio Renascença avançou esta terça-feira que os signatários vão enviar o manifesto ao Presidente da República e ao Governo, concedendo um mês para que a situação mude ou reservam-se o direito de avançarem para outras medidas que não especificam.

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09 de Janeiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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