«Nós não podemos estar a dar mais a quem se endivida mais»

foto de "DR" https://www.unl.pt | 11.01.2019

Julian Perelman a propósito das injeções financeiras para pagamento de dívidas
O coordenador da Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Orçamental da Saúde, Julian Perelman, considerou esta quarta-feira, que as injeções financeiras nos hospitais para pagamento das dívidas são «um prémio à má gestão» e ao endividamento, alertando que «não podemos estar a dar mais a quem se endivida mais».

Ouvido numa audição na Comissão Parlamentar de Saúde, requerida pelo PSD para «obter esclarecimentos sobre o desenvolvimento desta entidade e as medidas entretanto propostas com vista ao favorecimento do equilíbrio e da sustentabilidade do SNS», o responsável alertou que «as injeções financeiras estão associadas a risco moral» e «quem tem mais dívida, recebe mais dinheiro».

«Se eu tenho um hospital que está altamente endividado eu sei que vou receber mais dinheiro e no fundo não vale a pena estar a controlar a dívida porque se tenho pouca dívida vou receber menos dinheiro.

No fundo é um prémio à má gestão, um prémio ao endividamento», disse aos deputados o coordenador da estrutura criada em março do ano passado pelo Governo com o objetivo de apresentar propostas que contribuam para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e acompanhar o desempenho financeiro das entidades do SNS e do Ministério da Saúde.

Por esse motivo, observou, «os hospitais têm todo o interesse em não pagar antecipadamente, utilizando o dinheiro para outra coisa, para investimentos, recursos humanos, porque mais tarde ou mais cedo o Ministério das Finanças vai acabar por pagar» a dívida.

Segundo o coordenador da estrutura, citado pela agência Lusa, as injeções financeiras têm sido «muito pouco efetivas», com um impacto de muito pouco prazo.

«Diminui a dívida, mas um mês depois volta a aparecer porque, no fundo, os hospitais não têm grande incentivo para controlar essa dívida», além de que, quando um hospital recebe uma injeção de capital «é a porta aberta para assumir outros compromissos».
Para ultrapassar esta situação, a Estrutura de Missão faz uma primeira recomendação «muito simples»: que as injeções sejam feitas de forma mais discreta, mais faseada, e sobretudo que não tenham apenas como critério o nível de despesa.

«Nós não podemos estar a dar mais a quem se endivida mais», disse o responsável, defendendo que essas injeções não sejam feitas apenas em função da dívida, mas assentes em critérios de eficiência e da dimensão da atividade.

Julian Perelman adiantou que, para «diminuir a dimensão do problema», está em concretização o projeto de autonomia e financiamento dos hospitais para 2019.

«A ideia deste projeto é que tem de haver um reforço orçamental para os hospitais para aproximar os orçamentos às suas necessidades», mas, defendeu, «é preciso haver uma segurança clara de que o dinheiro vai ser bem alocado» e há garantias de um certo nível de eficiência.

A Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Orçamental da Saúde, liderada por Julian Perelman, recomenda que as injeções financeiras para pagamento de dívidas sejam feitas de forma mais discreta, mais faseada, e sobretudo que não tenham apenas como critério o nível de despesa

Para isso, os hospitais foram divididos em três grupos: o grupo dos muito eficientes, dos medianamente eficientes e dos de eficiência mais baixa.

Recorde-se que segundo uma auditoria do Tribunal de Contas, divulgada na terça-feira, a dívida do Serviço Nacional de Saúde a fornecedores e credores totalizou 2,9 mil milhões de euros em 2017, o que representa um agravamento de 51,6% face a 2014.

19tm02s
11 de Janeiro de 2019
1902Pub6f18tm02s

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 24.04.2019

Pneumonia: Mais de 50% dos doentes de risco não são aconselhados a vacinar-...

A pneumonia mata, em média, 23 pessoas por dia nos hospitais portugueses, mais do dobro da média eur...

por Teresa Mendes | 24.04.2019

Ministério da Saúde pede sindicância à Ordem dos Enfermeiros

A ministra da Saúde, Marta Temido, pediu à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) para realiz...

por Teresa Mendes | 24.04.2019

 SESARAM continua a não registar assiduidade dos seus trabalhadores

Uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) revelou, esta terça-feira, que o Serviço de Saúde da Região...

por Teresa Mendes | 23.04.2019

Encontro internacional debate futuro do envelhecimento<br />  

A Academia Nacional de Medicina de Portugal (ANMP), o Science Advice for Policy by European Academie...

por Teresa Mendes | 23.04.2019

Manifesto da EFPIA reforça os benefícios das vacinas

«Construir uma Europa mais Saudável» é o título do manifesto criado pela Vaccines Europe, o grupo es...

por Teresa Mendes | 23.04.2019

SIM pondera convocar greve dos médicos do Instituto Nacional de Medicina Le...

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pondera o «endurecimento das formas de luta», nomeadament...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.