Centro Hospitalar do Oeste está «refém de prestadores de serviço»

por Teresa Mendes | 17.01.2019

Denúncia da Ordem dos Médicos 
O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) é a terceira unidade de saúde do país com maior volume de horas contratadas a médicos tarefeiros, denuncia a Ordem dos Médicos (OM).
Segundo um comunicado daquele organismo, em 2017 os médicos do CHO fizeram mais de 73 mil horas de trabalho suplementar e, mesmo assim, nesse mesmo ano o centro hospitalar contratou mais de 192 mil horas a empresas médicas.

Numa visita, esta quarta-feira,  ao Hospital das Caldas a propósito da degradação das condições de trabalho do CHO, o bastonário da OM disse ser «inaceitável e a abusiva esta dependência do CHO das empresas médicas», considerando que «esta situação, além de contribuir para a difícil e preocupante situação financeira da instituição, afeta a qualidade do trabalho médico prestado e dificulta a captação de médicos, uma vez que não encontram equipas e um projeto profissional onde realizem em pleno as suas carreiras». 

O Centro Hospitalar do Oeste é a terceira unidade de saúde do país com maior volume de horas contratadas a médicos tarefeiros, denuncia a Ordem dos Médicos

Na visita, Miguel Guimarães esteve nos vários serviços, desde a Urgência, à Cirurgia e Obstetrícia, reunindo também com o conselho de administração, sendo acompanhado por uma comitiva que contou com a presença do presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, do presidente do Conselho Sub-Região do Oeste, Nuno Santa Clara, e de Joana Louro, da Assembleia de Representantes.

A opinião dos médicos com quem o bastonário contactou foi unânime. «As equipas estão a trabalhar num contexto de verdadeiro sofrimento ético.
Estão no limite das suas capacidades. É importante que o Ministério da Saúde permita que o CHO aposte numa modernização das suas infraestruturas e equipamentos para ter capacidade de atrair os jovens médicos com um projeto aliciante ao nível da clínica, formação, diferenciação e investigação», alertou o bastonário.

A falta de recursos humanos tem tido reflexo na capacidade de resposta do CHO, que no último ano reduziu a sua atividade nas consultas (primeiras e subsequentes), doentes saídos do internamento, intervenções cirúrgicas programadas e intervenções cirúrgicas urgentes, indicou o dirigente que considera que estes valores «podem piorar com a previsão de saída de vários médicos por aposentação».

Na visita à zona Oeste, Miguel Guimarães esteve também na Unidade de Saúde Familiar Rainha Dona Leonor, nas Caldas da Rainha, para perceber junto dos profissionais as circunstâncias que têm levado a que muitos médicos de família, mesmo ali formados, optem depois por trabalhar noutras zonas. 

O Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte ainda tem 16% da população sem médico de família, «precisando de mais 20 médicos para completar o quadro e conseguir proporcionar cuidados de qualidade à população daquela região», salienta ainda o comunicado 

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17 de Janeiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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