«Inércia» da SPMS «está a causar graves problemas»

por Teresa Mendes | 21.01.2019

Estudo da OM alerta para consequências das falhas informáticas
Um estudo elaborado pelo Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos (CRCOM), divulgado esta sexta-feira, revela que as falhas informáticas consecutivas nos sistemas informáticos da saúde, sobretudo no programa Sclínico, «prejudicam a atividade clínica e o atendimento aos doentes».

Quase 80% dos médicos que responderam ao inquérito consideram que o programa SClínico é lento, 42,5% diz que não é fácil e 62,6% conclui que não facilita o trabalho em ambiente de consulta.
Por fim, 82,1% afirmam que o Sclínico provoca novos problemas que interferem na atividade clínica.

Os resultados deste estudo, que vem na sequência das inúmeras queixas e reclamações sobre a funcionalidade e operacionalidade de muitas das aplicações informáticas utilizadas no Serviço Nacional de Saúde, «concretizam as inúmeros denúncias do CRCOM: a fraca e péssima qualidade deste serviço prestado pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE (SPMS) faz com que seja cada vez mais difícil, por exemplo, consultar o registo clínico, prescrever medicamentos e meios complementares de diagnóstico e terapêutica», destaca a Ordem dos Médicos num comunicado.

«A inércia da entidade responsável pela gestão do sistema informático do SNS está a causar graves problemas, com forte impacto na vida dos utentes» afirma Carlos Cortes 

O estudo mostra ainda que o Sclínico «apresenta erros e bloqueios frequentes, situação reportada por 84,9% dos inquiridos». Por outro lado, a percentagem de respondentes que afirma que o serviço de apoio informático - ServiceDesk - é ineficaz atinge os 74,4%.

«Os responsáveis dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde desconhecem a dimensão e a gravidade do problema porque não se deslocam às unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A inércia da entidade responsável pela gestão do sistema informático do SNS está a causar graves problemas, com forte impacto na vida dos utentes» afirma o presidente do CRCOM no mesmo comunicado.
Segundo Carlos Cortes, «esta recolha de dados confirma os nossos alertas.

A informatização clínica do SNS não é eficaz nem eficiente. Além das inúmeras dificuldades já existentes no SNS, a sistemática incompetência demonstrada na introdução de novas funcionalidades está a prejudicar o trabalho dos profissionais».

O presidente da SRCOM alerta ainda para o facto de este problema provocar um «impacto inaceitável sobre os doentes, obrigando ao cancelamento ou adiamento de consultas, existindo doentes que voltam repetidamente ao seu centro de saúde, apenas e só, devido aos problemas dos constantes bloqueios do sistema informático».

Esta recolha de dados, com mais de 500 respostas, foi realizada através de questionário online anónimo voluntário, no mês de dezembro de 2018.  

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21 de Janeiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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