Portugueses são mais afetados por demência vascular do que por Alzheimer

por Teresa Mendes | 24.01.2019

Tendência contrária ao que acontece na maioria dos países da Europa
Um estudo da Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), apurou que «a principal causa de demência em Portugal estará relacionada com fatores vasculares (demência vascular) e não com doença de Alzheimer», ao contrário do que acontece na maior parte dos países da Europa Ocidental. 

Numa nota à Imprensa o ISPUP explica que em Portugal, o único estudo epidemiológico a avaliar o declínio cognitivo e a demência na população portuguesa data de 2003 e aponta para uma prevalência de 2,7% da doença em indivíduos com idades compreendidas entre os 55 e os 79 anos.

O presente estudo, que vem aprofundar o anterior, avaliou a prevalência de défice cognitivo e de demência numa amostra de 730 indivíduos da coorte EPIPorto - um estudo de base populacional, que avalia, há 18 anos, os determinantes de saúde da população adulta residente no Porto - e tentou identificar as suas causas mais frequentes.
Os resultados mostram que cerca de 4,5% dos indivíduos com mais de 55 anos apresentam demência ou défice cognitivo ligeiro.

A investigação concluiu também que «o tipo de demência mais prevalente em Portugal é a demência vascular e não o Alzheimer, contrariando assim a tendência verificada na maior parte dos países ocidentais», salienta o comunicado.

Um estudo da Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, apurou que «a principal causa de demência em Portugal estará relacionada com fatores vasculares (demência vascular) e não com doença de Alzheimer», ao contrário do que acontece na maior parte dos países da Europa Ocidental 

Segundo os investigadores, a principal explicação para estas diferenças resulta da «elevada incidência de casos de acidente vascular cerebral (AVC) em Portugal, em comparação com outros países, o que pode explicar a prevalência da demência vascular no nosso país». «De facto, pelos danos que provoca no cérebro, o AVC é um fator de risco para o desenvolvimento deste tipo de demência», concluem.

Adicionalmente, a razão para esta diferença pode residir no facto de «Portugal ser o país da Europa com maior consumo de peixe, particularmente peixe gordo, o qual parece estar associado a menor risco de demência e de Alzheimer», observa Luís Ruano, primeiro autor do estudo.

Outra explicação poderá passar igualmente pela «menor prevalência entre a população portuguesa do alelo ε4 do gene APOE, o fator genético de risco mais comum para a doença de alzheimer», acrescenta.

De acordo com o autor, a investigação, que foi publicada na revista American Journal of Alzheimer’s Disease & Other Dementias, «acarreta uma importante mensagem de saúde pública relativamente à epidemiologia da demência em Portugal e revela um elevado potencial para a prevenção e gestão da demência vascular».

«Este tipo de demência pode ser prevenido, pelo que há que apostar, por exemplo, em medidas de prevenção primárias, como a prática de uma dieta saudável, de exercício físico regular e o controlo dos principais fatores de risco cardiovasculares», destaca Luís Ruano.

O estudo designado “Prevalence and Causes of Cognitive Impairment and Dementia in a Population-Based Cohort From Northern Portugal “ é também da autoria de Henrique Barros, Natália Araújo, Mariana Branco, Rui Barreto, Sandra Moreira, Ricardo Pais, Vítor Tedim Cruz e Nuno Lunet, e pode ser consultado.

O Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estão também envolvidos na investigação.

Teresa Mendes

Referências:
http://ispup.up.pt/?lang=pt
https://journals.sagepub.com/

19tm04m
24 de Janeiro de 2019
1904Pub5f19tm04m

Publicada originalmente em www.univadis.pt

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