Governo e médicos unidos contra bastonária da Ordem dos Enfermeiros

por Teresa Mendes | 06.02.2019

Tutela suspende relações institucionais com a OE  
Ministério da Saúde, a Ordem dos Médicos (OM) e o primeiro-ministro condenaram esta terça-feira a atitude da bastonária da Ordem dos Enfermeiros de incentivar publicamente a greve cirúrgica dos enfermeiros, que desde o dia 31 de janeiro já levou ao cancelamento de mais de 650 cirurgias, algumas delas prioritárias.

Num comunicado assinado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, o Ministério da Saúde anuncia mesmo a decisão de suspender temporariamente as relações institucionais com a Ordem das Enfermeiros (OE). Na nota à Imprensa, o governante considera não existirem condições para dar continuidade às reuniões regulares com a OE, dado que «a sua bastonária tem extravasado as atribuições da associação profissional que representa».

Também António Costa admitiu, numa entrevista à SIC, recorrer à requisição civil face e anunciou que o Governo apresentará queixa à justiça contra a OE por violação da lei que proíbe participação em atividade sindical.

«Queremos agir com a firmeza necessária, mas com a justiça devida.
Chegámos ao limite daquilo que podíamos aceitar.
Se for necessário, iremos utilizar esse instituto jurídico», declarou.

O Conselho Nacional da OM, que convocou uma conferência de Imprensa, condenou as declarações proferidas pela bastonária da OE e pela presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros, relativas aos médicos e aos doentes prioritários e muito prioritários adiados em consequência da greve cirúrgica. «Estas declarações são falsas, atentatórias da dignidade dos médicos portugueses e, por isso, totalmente inaceitáveis», lê-se num comunicado.

Francisco Ramos considera não existirem condições para dar continuidade às reuniões regulares com a OE, dado que «a sua bastonária tem extravasado as atribuições da associação profissional que representa» 

«Na fase complexa que se vive atualmente no Serviço Nacional de Saúde (SNS), em que os profissionais de saúde deveriam encontrar sinergias e valorizar o trabalho em equipa, respeitando-se mutuamente, estranhamos que as representantes dos enfermeiros venham publicamente justificar as consequências negativas que a greve cirúrgica traz para os doentes tentando responsabilizar os médicos pelos atos dos enfermeiros», diz ainda a OM.

«Defender que os enfermeiros precisam menos dos médicos, do que os médicos dos enfermeiros; ou sugerir que os médicos internos não são médicos e que tomam menos decisões clínicas do que os enfermeiros são proclamações estéreis, que apenas servem para fomentar uma divisão indesejável entre profissionais», conclui a nota publicada no site da OM.
 
Recorde-se que também nesta terça-feira o diretor clínico do hospital de Santo António do Porto denunciou que foram violados serviços mínimos no hospital que dirige.
O médico afirmou que houve 26 cirurgias que cumpriam os atuais critérios de serviços mínimos que não foram realizadas. 

19tm06i
06 de Fevereiro de 2019
1906Pub4f19tm06i

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 18.02.2020

«Governo menospreza a negociação com os sindicatos médicos»

Os sindicatos médicos saíram esta segunda-feira desiludidos da primeira reunião negocial com a tutel...

por Teresa Mendes | 18.02.2020

 Eutanásia «viola a relação médico-doente», reafirma Miguel Guimarães

A Ordem dos Médicos (OM) voltou esta segunda-feira a manifestar-se contra a prática da eutanásia, ar...

por Teresa Mendes | 18.02.2020

Criada comissão para elaborar proposta para uma Lei da Saúde Pública

O Ministério da Saúde criou uma Comissão para elaborar uma proposta de Reforma da Saúde Pública e Su...

por Teresa Mendes | 18.02.2020

USF da Alta de Lisboa e Alto dos Moinhos concluídas dentro de ano e meio

A ministra da Saúde lançou esta segunda-feira a primeira pedra das novas unidades de saúde familiar...

por Teresa Mendes | 17.02.2020

 Generalização do modelo USF? Sim, mas mantendo os critérios diferenciadore...

A Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) diz-se satisfeita com a intenção do pr...

por Teresa Mendes | 17.02.2020

 Utilização de medicamentos para o controlo da diabetes aumentou 44%

A utilização de medicamentos para o controlo da diabetes aumentou 44% entre 2009 e 2018. O consumo c...

por Teresa Mendes | 17.02.2020

1.º Congresso Internacional de Cuidados Continuados e Paliativos 

  O Centro de Estudos e Desenvolvimento de Cuidados Continuados e Paliativos (CEDCCP) da Faculdade d...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.