«Se não tivéssemos os internos o SNS ruía como um castelo de cartas»

por Teresa Mendes | 11.02.2019

O bastonário da Ordem dos Médicos assinala dois anos de mandato 
 Numa sessão em que foram assinalados os dois anos de mandato do bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães acusou os políticos de falta de vontade de resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que o enfoque na alteração da Lei de Bases serviu para «desviar atenções».

O responsável alerta que o SNS tem estado «quase paralisado» e considera até que estará pior do que há 20 anos, destacando que é a evolução da medicina que tem contribuído para «dar um certo equilíbrio» à capacidade de resposta, salientou o dirigente esta sexta-feira, em Lisboa.

«Não há vontade de quem está na política de resolver o problema das pessoas que trabalham no SNS nem a capacidade de resposta que os serviços de saúde podem dar aos cidadãos», afirmou aos jornalistas à margem do encontro.

«Não há vontade de quem está na política de resolver o problema das pessoas que trabalham no SNS nem a capacidade de resposta que os serviços de saúde podem dar aos cidadãos», afirmou Miguel Guimarães

Miguel Guimarães deu o exemplo do enfoque que foi dado à alteração da Lei de Bases da Saúde: «Parece que a Lei de Bases é a salvação do SNS», mas «não há nada na atual Lei de Bases que impeça o Governo de apostar fortemente no SNS e dar aos cidadãos o que eles querem ou que impeça de regularizar as profissionais na área da saúde», defendeu.

Para o bastonário, esta «é uma forma de desviar as atenções numa altura em que o SNS enfrenta uma grave deficiência de investimento, ao nível de equipamentos e de capital humano».

Nos seus dois anos de mandato considera que «não houve investimento sério no SNS».
 
Apesar de o Governo invocar a contratação de mais médicos, o bastonário recorda que o que tem existido é mais clínicos em formação.
«Se não tivéssemos os internos [médicos a fazer formação de especialidade] neste momento, o SNS ruía como um castelo de cartas», alertou.

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11 de Fevereiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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