«Estamos numa situação de crise no sistema de saúde militar»

por Teresa Mendes | 21.02.2019

Ministro da Defesa quer reforma do sistema de saúde dos militares 
O ministro da Defesa Nacional apontou esta quarta-feira como prioridade «lançar as bases» para um sistema de saúde militar «mais coeso e integrado», reforma que espera ver aprovada até ao final da legislatura.

Ontem, o Sindicato Independente dos Médicos anunciou que vai intentar uma ação em tribunal contra aquele Ministério por causa da «discriminação dos trabalhadores médicos» a ele adstritos.

Ouvido numa audição regimental sobre a política de Defesa, na Assembleia da República, Gomes Cravinho afirmou que a saúde militar é uma prioridade nos meses que faltam até terminar o mandato, esperando ver aprovada até lá legislação para «lançar as bases para um sistema de saúde militar mais coeso e integrado», envolvendo o IASFA, (Instituto de Ação Social das Forças Armadas) a ADM (Assistência na Doença aos Militares), o Hospital das Forças Armadas, as unidades de saúde dos ramos e o Laboratório Militar.

O ministro da Defesa Nacional apontou esta quarta-feira como prioridade «lançar as bases» para um sistema de saúde militar «mais coeso e integrado», reforma que espera ver aprovada até ao final da legislatura 

«Ao longo dos últimos 15 anos houve tentativas incompletas para reformas e hoje estamos numa situação de crise no sistema de saúde militar», disse, adiantando que pretende manter o IASFA a gerir as diferentes componentes, «mas com uma separação clara».

João Gomes Cravinho adiantou aos deputados que dará instruções ao novo presidente do IASFA, que toma posse esta quinta-feira posse [tenente-general Fernando Serafino], para «fazer uma separação clara das diferentes componentes», ação social, ADM e gestão do património.

O ministro afirmou ainda que a prioridade é «voltar a pôr de pé o IASFA» e encontrar «viabilidade e racionalidade financeira» para o sistema de saúde dos militares, que apresenta «muitos desequilíbrios, talvez mesmo disfuncionalidades».

Sobre este mesmo assunto o Sindicato Independente dos Médicos denunciou esta terça-feira numa nota à Imprensa que «para além da incapacidade em atrair médicos para o quadro, essa discriminação é uma das razões que explica a grande diminuição dos médicos civis do Hospital das Forças Armadas, onde mais de 60% dos cuidados são efetuados por prestadores externos».

Aquele sindicato sublinhou que tem vindo a denunciar vigorosamente «a lamentável discriminação dos trabalhadores médicos civis a exercer funções na área da Defesa Nacional habilitados com o grau de consultor, assim tendo adquirido a categoria de assistente graduado, mas ainda não a receber pela categoria de assistente graduado, ao contrário do que designadamente acontece, aliás há mais de dois anos, com os trabalhadores médicos que exercem funções no Ministério da Saúde».

«Face à recusa do Ministro da Defesa em responder aos vários ofícios e aos pedidos de reuniões, o SIM irá intentar uma ação em tribunal para terminar com a discriminação dos trabalhadores médicos adstritos ao Ministério da Defesa Nacional», lê-se no comunicado.

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21 de Fevereiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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