Portalegre precisa desesperadamente de médicos

por Teresa Mendes | foto de "DR" OM | 26.02.2019

Clínicos assumiram que «estavam a atingir a exaustão» 
O adensar das graves carências ao nível de recursos humanos do Hospital de Portalegre foi o principal problema discutido numa visita do bastonário da Ordem dos Médicos esta segunda-feira àquela unidade.

Miguel Guimarães afirmou que os clínicos daquele hospital estavam «em sofrimento ético», uma vez que não podem deixar de tratar os doentes ainda que não tenham condições para o fazer.

«Isto causa uma perturbação imensa, causa uma depressão enorme nas pessoas, causa problemas graves, causa, de facto, uma desmotivação muito grande», sublinhou o dirigente, citado numa nota publicada no site da OM.

O presidente do Conselho Regional do Sul da OM, que acompanhou o bastonário, lamentou que as regras não ajudem à contratação de médicos e à autonomia dos serviços e também que se esteja a gastar muito dinheiro na contratação de empresas de fornecimento de quadros médicos, «em vez de usar esse dinheiro para pagar dignamente as horas aos próprios profissionais do quadro do hospital».

Na reunião, Alexandre Valentim Lourenço sublinhou que o panorama é «quase desesperado». «A pediatria tem quatro médicos no quadro, todos eles com idade de não fazer urgência, todos fazem.

A ginecologia/obstetrícia tem dois médicos em idade de reforma, prolongam os contratos para continuarem a trabalhar», informou o responsável, acrescentando que «este é um dos hospitais que mais contrata serviços médicos avulso, que são médicos que vêm de outras regiões, estão aqui um dia e vão embora, não estabelecem laços nem continuidade de serviços».

Miguel Guimarães afirmou que os clínicos daquele hospital estavam «em sofrimento ético», uma vez que não podem deixar de tratar os doentes ainda que não tenham condições para o fazer

Segundo o comunicado da OM, o presidente do conselho de administração admitiu na reunião com a delegação da Ordem que a situação é má, mas considera que não tem alternativa para contratar de outra forma.

Os médicos da ULSNA, na reunião, advertiram que «estavam a atingir a exaustão», designadamente os internistas, que suportam um serviço com 42 camas de internamento e ainda a urgência e o SO, para além das inúmeras camas de internamento que têm espalhadas por vários serviços.

19tm09h
26 de Fevereiro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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