Utentes obesos esperam 16 meses por cirurgia bariátrica

por Teresa Mendes | 06.03.2019

ERS aponta «elevada taxa de incumprimento dos tempos máximos»
 
Os utentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o tratamento cirúrgico da obesidade esperam em média um ano e quatro meses pela cirurgia, tempo que está muito acima do máximo garantido por lei.  
Os dados de 2017 constam de um relatório da Entidade Reguladora da Saúde publicado hoje.

Segundo o documento, estes doentes esperam, em média, oito meses desde a data de entrada para a lista de inscritos para cirurgia (LIC) até à cirurgia.

Contudo, acresce o tempo que tiveram de esperar para a consulta de cirurgia da obesidade, a qual, em média, «ascendeu igualmente a oito meses, em 2017, perfazendo uma espera total média de 16 meses».

«Efetivamente, verifica-se uma elevada taxa de incumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos definidos na Lei, quer em consultas hospitalares, quer em cirurgias de obesidade, por parte dos hospitais do SNS, devendo destacar-se que a área da obesidade apresenta nesta matéria o pior desempenho relativo, quando comparada com outras especialidades», destaca o relatório da ERS.

Os utentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o tratamento cirúrgico da obesidade esperam em média um ano e quatro meses pela cirurgia, tempo que está muito acima do máximo garantido por lei.  Os dados de 2017 constam de um relatório da Entidade Reguladora da Saúde

Numa análise que compara a capacidade de oferta dos prestadores da rede de cuidados da área da obesidade com a procura potencial das populações, a reguladora conclui que «a grande maioria dos concelhos de Portugal continental têm um nível de acesso baixo a cirurgias de obesidade» e que «em termos de habitantes residentes, os níveis de acesso médio e baixo abrangem cerca de 60% da população».

O documento aponta ainda dificuldades ao nível dos cuidados primários, considerando que embora esteja prevista uma abordagem integrada da obesidade, com articulação entre os diversos níveis de cuidados, que prevê a sinalização precoce e acompanhamento em consulta nos cuidados de saúde primários (CSP), «a capacidade de resposta dos CSP nesta área encontra-se diminuída pela constatada carência de nutricionistas nos ACES, 15 dos quais não dispunha de qualquer nutricionista, em 2016, com maior escassez relativa nos ACES da ARS Lisboa».

Além disso, os hospitais do SNS que realizam tratamentos na área da obesidade estão grandemente concentrados nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo, «existindo escassez de recursos humanos em algumas regiões do país afastadas dos grandes centros populacionais».

Por outro lado, «a oferta de prestadores convencionados com o SNS é escassa e localiza-se essencialmente em Porto, Lisboa e Coimbra, não representando uma melhoria significativa no acesso geográfico à rede de serviços pelas populações», sublinha a ERS.

Recorde-se que a obesidade em Portugal atinge cerca de 17% da população, percentagem em linha com a média dos países da União Europeia, verificando-se uma maior probabilidade de ocorrência em população do género feminino, com mais idade, menor nível de escolaridade e de estrato socioeconómico inferior.

O relatório da ERS está disponível aqui  

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06 de Março de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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