Há uma imensidão de dados sobre a Saúde, mas muitos são errados

por Teresa Mendes | 12.03.2019

Chegam a ser diferentes os dados sobre o mesmo tema 
As organizações de saúde em Portugal têm uma imensidão de dados, mas muitos são errados e incoerentes, além de serem difíceis de comparar.

Esta é a conclusão de um relatório elaborado por um grupo de trabalho para a gestão da informação em saúde da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, apresentado hoje em Lisboa. 

Este White Paper, coordenado por Teresa Magalhães, foi divulgado na sessão pública, «Contributos para a implementação de um Business Intelligence no SNS», onde se discutiu o que poderá ser uma estrutura de BI no SNS.

Entre os problemas detetados no sistema de saúde português estão a qualidade e cruzamento dos dados e a dificuldade de lhes aceder ou o facto de os hospitais serem «inundados» com pedidos de dados por várias entidades, gastando tempo, esforço e capital humano de forma ineficaz. 

Entre os problemas detetados no sistema de saúde português estão a qualidade e cruzamento dos dados e a dificuldade de lhes aceder ou o facto de os hospitais serem «inundados» com pedidos de dados por várias entidades, gastando tempo, esforço e capital humano de forma ineficaz

Segundo relatório, chegam a ser diferentes os dados sobre o mesmo tema dentro de uma mesma organização de saúde.

«Existe a tendência de ignorar os glossários existentes, mas também existem situações em que as instruções de preenchimento de ficheiros são inexistentes, dúbias ou contraditórias», pode ler-se na publicação.

É igualmente apontado como um problema a «imensidão de dados», mas, estando muitos deles errados ou incoerentes, «o que consequentemente põe em causa a fiabilidade dos mesmos».

Outro dos problemas identificado, a nível nacional, é «a dificuldade de comparar dados das diferentes organizações, não só porque o registo de dados é realizado sob condições diferentes, mas também porque a extração de dados é realizada de forma diferente».

A nível mais local ou hospitalar, o grupo de trabalho salienta a falta de capacidade para obter dados em tempo útil, seja por incapacidade de os extrair ou por incapacidade de os cruzar.

Outra das dificuldades identificadas é que os utentes não conseguem aceder a informação suficiente nos 'sites' dos hospitais ou de outras instituições de saúde.
«Os utentes querem saber onde e quando podem ser tratados da melhor forma, com maior qualidade», além de que a informação que lhes é prestada «não se adapta a cada situação» ou a cada patologia.

O grupo de trabalho da Associação de Administradores Hospitalares entende que a utilização de Business Intelligence - que surge definida como o uso de informação e de ferramentas de análise especializada -, vai além do recurso à tecnologia e pode ajudar a rentabilizar os recursos pode melhorar os cuidados de saúde e facilitar as análises de qualidade e segurança.

Mais informações podem ser consultadas no documento, aqui 

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12 de Março de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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