«Sofremos até já não aguentarmos mais»

por Teresa Mendes | 15.03.2019

Hospital de Leiria: Médicos retratam profissionais exaustos
Os médicos que trabalham na Urgência do Hospital de Leiria estão exaustos, frustrados, indignados e a trabalhar mais de 50 horas por semana.

Este foi o panorama relatado pela Ordem dos Médicos (OM) e Sindicato Independente dos Médicos (SIM), ouvidos nesta quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Saúde.

As dificuldades são graves e imensas, mas de acordo Miguel Pires, médico internista do hospital de Leiria, acontecem sobretudo na urgência.

«Sofremos até já não aguentarmos mais.
Os profissionais estão completamente exaustos, com um grande sentimento de frustração e de indignação por não conseguirem atender às necessidades mais básicas dos doentes nas urgências», afirmou.

O especialista em Medicina Interna disse que já assistiu à saída de pelo menos 15 médicos que fizeram a sua formação no hospital de Leiria nos últimos seis anos, profissionais que decidiram que não ficariam a trabalhar na unidade.

«Corremos sérios riscos de ficar sem médicos na urgência», alertou Miguel Pires, descrevendo aos deputados que muitas vezes estão apenas dois especialistas na urgência e que têm de se desdobrar por idas a outros locais e pisos de internamento.

Os médicos que trabalham na Urgência do Hospital de Leiria estão exaustos, frustrados, indignados e a trabalhar mais de 50 horas por semana. Este foi o panorama relatado pela Ordem dos Médicos e Sindicato Independente dos Médicos, ouvidos na Comissão Parlamentar de Saúde 

«Fazemos todos 24 horas de urgência todas as semanas. Acabamos por fazer muito mais do que 40 ou 50 horas de trabalho semanal. Em média, fazemos todos mais de 50 horas por semana de trabalho, com prejuízo para a saúde física e mental», observou escreveu aos deputados.

Miguel Pires, que também está a ponderar abandonar o Hospital de Leiria, relata até que há muitos colegas que choram à entrada ou saída do trabalho e que «têm somatizações de ansiedade». «Eu apelo a que seja feita alguma coisa.

Ou arriscamo-nos a que o hospital de Leiria fique sem especialistas em Medicina Interna», sublinhou, indicando que pelo menos a área de influência devia ser diminuída para se reduzir a quantidade de população que recorre àquela urgência.

Também presente na audição, Carlos Cortes, presidente do Conselho Regional do Centro da OM salientou que a urgência do hospital de Leiria tem vivido nas últimas semanas e meses dificuldades «profundas, graves e dramáticas».

Recorde-se que amanhã, dia 15, o Parlamento ouve também a ministra da Saúde, Marta Temido, sobre a situação que se vive no hospital de Leiria, que já motivou um pedido de demissão do presidente do conselho de administração, bem como de chefes de serviço de urgência.

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14 de Março de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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