«Não é possível ter uma urgência pediátrica aberta sem pediatras»

29.03.2019

Ordem alerta para cenário «muito grave» da urgência pediátrica do HGO 
A Ordem dos Médicos voltou esta quinta-feira a alertar para o «cenário muito grave» da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta (HGO), avisando que o serviço poderá encerrar alguns dias ou em alguns períodos do mês de abril.

O conselho de administração do hospital já garantiu que «está a diligenciar medidas que permitirão colmatar a falta de médicos nos dias considerados mais críticos».
Entre essas medidas estão propostas de contratações diretas de dois novos especialistas, cuja concretização se espera poder ocorrer em maio.

Num comunicado, divulgado à agência Lusa, o hospital informa que, «através de um protocolo com o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, foi cedida a colaboração de um pediatra, para colaboração imediata» e «foi identificado um médico interno de pediatria do último ano, que iniciará funções dentro de poucos dias».

Também foi cedido, através de um protocolo celebrado com a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, «um especialista de Medicina Geral e Familiar, com larga experiência anterior na Urgência Pediátrica do HGO, decorrendo ainda conversações com outros médicos no mesmo sentido».

A Ordem dos Médicos voltou esta quinta-feira a alertar para o «cenário muito grave» da urgência pediátrica do HGO, avisando que o serviço poderá encerrar alguns dias ou em alguns períodos do mês de abril. O conselho de administração do hospital já garantiu que «está a diligenciar medidas que permitirão colmatar a falta de médicos nos dias considerados mais críticos» 

Será também proposta a abertura de quatro vagas, no próximo concurso nacional, que se prevê que ocorra no prazo de três meses.

«O processo de recrutamento de mais médicos tem estado e continuará aberto, até que seja possível colmatar as saídas ou impedimentos atuais de vários médicos, por licenças, doenças ou outras causas.

A substituição nestes impedimentos não tem sido possível face à ausência de médicos para contratar», salienta a nota.

Segundo o hospital, as três vagas atribuídas pelo Ministério da Saúde, no concurso recente, «infelizmente não foram ocupadas, apesar de se terem identificado alguns candidatos interessados e que posteriormente não aceitaram».

O HGO espera que estas medidas, com o ajustamento da escala de abril em alguns dias, permita colmatar a falta de médicos em quatro ou cinco dias particularmente críticos.

Complementarmente estão previstas algumas medidas que, segundo o HGO, «podem contribuir, para reduzir a afluência à urgência pediátrica», como o lançamento, dentro de uma semana, de «uma larga campanha de informação e sensibilização dos pais de crianças até aos 12 anos, com a colaboração das autarquias e escolas dos concelhos de Almada e Seixal».

«Esta campanha visa que os centros de saúde assegurem, em primeira linha, o atendimento da doença aguda pediátrica, uma vez que mais de 70% dos atendimentos na Urgência Pediátrica são situações de baixa prioridade e que não inspiram cuidados de maior», adianta o documento.

«Falta de pediatras no Hospital Garcia de Orta agravou-se»

A Ordem dos Médicos lembra que apesar do alerta feito há dois meses e da «insistência» do Sindicato Independente dos Médicos, «a falta de pediatras no Hospital Garcia de Orta agravou-se».

«Em abril, a escala de urgência pediátrica pode deixar de estar assegurada pelo que o serviço corre o risco de ser encerrado alguns dias ou em alguns períodos», denuncia a Ordem num comunicado.

«Não é possível ter uma urgência pediátrica aberta sem pediatras. Não é sério e, sobretudo, não é seguro para os mais de 130 doentes que ali acorrem todos os dias», sublinha o bastonário, Miguel Guimarães, avançando que desde fevereiro já saiu mais um pediatra do hospital, prevendo-se a saída de mais um até ao final de abril. Há também uma pediatra que entrou em licença de maternidade e outra que está grávida.

Referências:
https://ordemdosmedicos.pt/
http://www.hgo.pt/
 
19tm13u
29 de Março de 2019
1913Pub6f19tm13u Publicada originalmente em www.univadis.pt

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