Tratamento percutâneo deve ser alargado aos casos menos graves

por Teresa Mendes | 01.04.2019

APIC defende procedimentos minimamente invasivos para todos os doentes
Todos os doentes com estenose aórtica grave e sintomática podem ser tratados com recurso aos procedimentos minimamente invasivos, defende a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC).

A recomendação surge na sequência de vários estudos divulgados na 68.ª Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia, que terminou no dia 30 de março, em Chicago.

«Depois de, há uma década, ter sido lançado o tratamento da estenose aórtica por cateter para os doentes mais graves, o desenvolvimento médico e tecnológico sustentado permite, agora, alastrar a técnica a todos os doentes, especialmente aos de menor risco», destaca João Brum Silveira, presidente da APIC, num comunicado divulgado esta sexta-feira, estimando que «existam cerca de 25.000 portugueses com indicação para este tratamento».

Recordando que até ao momento, o uso das válvulas aórticas percutâneas tem sido restrito a doentes com estenose aórtica grave com risco cirúrgico aumentado, usualmente com mais de 80 anos, o que corresponde a cerca de 5000 portugueses, o especialista explica que «os estudos agora apresentados constituem a derradeira revolução na Cardiologia e um marco histórico pela melhoria vertiginosa proporcionada pelos tratamentos minimamente invasivos da Cardiologia de Intervenção, comprovada por evidência científica de elevada qualidade».

«Depois de, há uma década, ter sido lançado o tratamento da estenose aórtica por cateter para os doentes mais graves, o desenvolvimento médico e tecnológico sustentado permite, agora, alastrar a técnica a todos os doentes, especialmente aos de menor risco», destaca João Brum Silveira 

É o caso do estudo Partner 3, que envolveu cerca de 900 doentes com uma idade média de 73 anos e com baixo risco cirúrgico, cujos resultados aos 30 dias mostram que «a válvula aórtica percutânea (VAP) é substancialmente mais segura que a substituição da válvula aórtica cirúrgica (SAVR)». 

«Após um ano, a morte, o acidente vascular cerebral ou reinternamento, ocorreram em apenas 8,5% (42/496) no grupo das VAPs, significativamente menos que os 15,1% (68/754) do braço da SAVR.

Em concreto, os doentes do grupo VAPs tiveram menos 5 mortes, 8 acidentes vasculares cerebrais e 13 re-hospitalizações em apenas um ano», lê-se no comunicado.

O outro estudo, o CoreValve Evolut Baixo Risco, avaliou cerca de 1400 doentes com uma idade média de 74 anos e baixo risco para SAVR seguidos pelo dobro do tempo (2 anos), concluindo que «a taxa de morte ou acidente vascular cerebral incapacitante foi de 5,3% no grupo VAP contra 6,7% no grupo da SAVR».

«Os Serviços de Cardiologia e de Cirurgia Cardíaca têm pela sua frente o desafio de dar resposta a esta nova era do tratamento valvular percutâneo proporcionado pela cardiologia de intervenção e toda a equipa multidisciplinar altamente treinada nesta área», conclui João Brum Silveira.
 
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01 de Abril de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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