Segurança clínica «está a ser colocada em causa», alerta Miguel Guimarães

por Teresa Mendes | 03.04.2019

OM recomenda recusa de prestação de serviço caso não existam condições
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) endurece a sua posição e ameaça responsabilizar o Ministério da Saúde pela «insegurança clínica» alegadamente verificada em muitas unidades.

Miguel Guimarães diz ainda que a OM vai recomendar aos profissionais que recusem prestar serviço sempre que não existam garantias mínimas para a segurança dos doentes.

Em declarações à imprensa no final de uma reunião, esta terça-feira, em Lisboa, com a ministra da Saúde, Marta Temido, o dirigente afirmou que a OM «vai ter uma atitude mais forte», ameaçando responsabilizar o Ministério da Saúde pela situação.

«A segurança clínica está a ser posta em causa, por deficiências várias, que começam no capital humano», afirmou Miguel Guimarães.

Por isso,  defendeu ser preciso «tomar uma atitude diferente neste domínio», considerando que «o Estado tem de garantir a segurança dos doentes, tem de garantir aquilo que é o tempo recomendado para a relação médico-doente, para estes poderem expressar aquilo que lhes vai na alma e a sua história clínica e terem daí uma atitude que seja benéfica para eles».

O bastonário da Ordem dos Médicos endurece a sua posição e ameaça responsabilizar o Ministério da Saúde pela «insegurança clínica» alegadamente verificada em muitas unidades. Miguel Guimarães diz ainda que a OM vai recomendar aos profissionais que recusem prestar serviço sempre que não existam garantias mínimas para a segurança dos doentes 

Entretanto, em declarações à TSF, o bastonário disse que vai recomendar aos profissionais que recusem prestar serviço sempre que não existam garantias mínimas para a segurança dos doentes.

Miguel Guimarães considera que os médicos «têm feito um esforço imenso» e que, além de estarem em «burnout», estão em «sofrimento ético para tentar dar o máximo de resposta a esta situação», algo que o bastonário acredita que, «a manter-se no tempo, é extraordinariamente prejudicial para o próprio SNS».

Perante o cenário existente, o responsável lança um apelo aos médicos para que não trabalhem «se não houver capital humano suficiente para, em condições de segurança, assegurarem todos os períodos dos serviços de urgência durante um mês».

Miguel Guimarães esclareceu que «têm de se assegurar aqueles que podem ser assegurados com segurança clínica e os outros terão de ser suspensos e os doentes terão de ser encaminhados para outros hospitais».

Recorde-se que a ministra da Saúde tinha convocado no dia 20 de março para esta terça-feira a reunião com a OM, na sequência de um pedido urgente daquele organismo, garantindo na altura que não havia qualquer desconsideração pela profissão médica.
 
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03 de Abril de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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