Sindicatos querem marcação de um fórum médico

por Teresa Mendes | 04.04.2019

Ameaça da greve está cada vez mais presente 
A reunião com a Tutela deixou os sindicatos médicos «desapontados».
Sem resposta às solicitações, as estruturas sindicais vão solicitar à Ordem dos Médicos (OM) a marcação de um fórum médico, com a ameaça da greve cada vez mais presente.  

«Munidos da paciência e da capacidade negocial, os sindicatos médicos mais uma vez reuniram-se com o Ministério da Saúde e, mais uma vez, saem desapontados desta reunião», disse aos jornalistas o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, esta quarta-feira, no final do encontro com a ministra da Saúde, Marta Temido, que durou cerca de três horas.

Roque da Cunha informou que os sindicatos irão reunir os seus órgãos no sentido de «aprofundar as formas de combate» à «falta de resposta do Ministério da Saúde» e que irão solicitar ao bastonário da OM que marque «um fórum médico», considerando que «o Ministério da Saúde parece querer empurrar os médicos para uma greve que não desejam».

«Muito provavelmente no mês de maio será necessário um endurecimento desta nossa posição, que nós não desejamos», concretizou o dirigente.

A reunião com a Tutela deixou os sindicatos médicos «desapontados». Sem resposta às solicitações, as estruturas sindicais vão solicitar à Ordem dos Médicos a marcação de um fórum médico, com a ameaça da greve cada vez mais presente

Sobre as reivindicações que não obtiveram resposta por parte do Ministério da Saúde, o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), João Proença, apontou as grelhas salariais, a redução do trabalho de urgência de 18 para 12 horas e os concursos, que não são publicados de forma atempada.

O secretário-geral do SIM adiantou ainda que há um «conjunto de matérias» que têm que ter resposta, nomeadamente «aquelas que tem a ver com diminuição das horas na urgência para aumentar a acessibilidade dos utentes às cirurgias às consultas programadas, a diminuição da carga de trabalho a muitos médicos que continuam a trabalhar muito mais do que aquilo que devem com limitação no investimento do Serviço Nacional de Saúde».

«Esta senhora ministra não está a dar resposta a nada», diz bastonária dos enfermeiros

Também a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, acusa o Ministério da Saúde de não resolver os problemas que interferem com a vida dos doentes.

Ouvida esta quarta-feira na Comissão Parlamentar de Saúde, a dirigente diz que «é inédito o que se passa» com a atual ministra da Saúde, Marta Temido, mesmo em comparação com o que acontecia com o anterior tutelar da pasta, Adalberto Campos Fernandes.

«Esta senhora ministra não está a dar resposta a nada e isso interfere com a vida das pessoas e com a prestação de cuidados no dia a dia das pessoas. A ministra tem de cumprir o seu papel, goste muito ou pouco da bastonária e da Ordem dos Enfermeiros (OE)», afirmou aos deputados. 

Ana Rita Cavaco informou ainda que não tem tido qualquer contacto com a ministra da Saúde, com quem apenas teve uma reunião, no ano passado, desde que tomou posse.

«O corte de relações não pode estar ultrapassado, na medida que a única audiência que tivemos com a ministra da Saúde foi no ano passado», disse a responsável, acrescentando que «todos os dias» a OE solicita audiências à ministra da Saúde, bem como envia ofícios com pedido de resolução de problemas que têm a ver com a vida das pessoas e com a segurança dos cuidados.

«Não há qualquer contacto com a senhora ministra da Saúde, que está claramente a discriminar os enfermeiros. E não há nenhuma resposta às questões da Ordem», sublinhou.

Teresa Mendes

Referências:
www.ordemdosenfermeiros.pt
www.simedicos.pt
www.fnam.pt
 
19tm14m
04 de Abril de 2019
1914Pub5f19tm14m

Publicada originalmente em www.univadis.pt

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