Combater o sedentarismo 

por Pedro Marques da Silva | 05.04.2019

A regra é: mover-se mais e sentar-se menos, “ser e estar” fisicamente ativo
 
Artigo de Opinião de Pedro Marques da Silva

Combater o sedentarismo, “ser e estar” fisicamente ativo é uma das opções de vida mais relevantes dos e para os portugueses de todas as idades, fundamental no que respeita à sua saúde, longevidade e qualidade de vida.

Portugal é um país envelhecido. Somos 10,3 milhões de habitantes (concentrados nas zonas urbanas e litorais), com um decréscimo sentido da população.

Este decrescimento deriva, essencialmente, de o número anual de mortes ser maior do que os nascimentos, mas também porque, nos últimos anos, tem havido um número crescente – felizmente a diminuir – dos portugueses que emigram.

Olhando para a média de idades, 21 por cento dos portugueses têm 65 ou mais e só 14 por cento tem menos de 15 anos.
Há já um milhão de portugueses com 75 ou mais anos. Sim, hoje somos menos, mas vivemos mais (a esperança de vida é superior a 80 anos), e é aqui que temos de confrontar as nossas opções de vida e de saúde, responsavelmente e assumidamente.

A saúde é demasiado importante para ficar só nas mãos dos médicos e dos restantes profissionais.
A Saúde é de todos!

É por isso que a atividade física tem um papel decisivo no bem-estar das populações.
Nas nossas vidas, somos capazes de confirmar que os nossos comportamentos são cada vez menos ativos.
No trabalho estamos muito tempo sentados, em casa o comando da televisão ou as novas tecnologias dominam o nosso estar, nas escolas não há ginásios, e os recreios são novos “centros de smartphones” e obituários de brincadeiras ativas.

E, depois, os números estão aí: cerca de 10 por cento da mortalidade prematura está associada ao sedentarismo e à inadequação da atividade regular desejável.

Como resultado, aumenta a obesidade, acumulam-se as doenças relacionadas, direta ou indiretamente, com o sedentarismo, e agravam-se os custos de saúde que podem estar associados ao absentismo e à redução da produtividade.

A Organização Mundial de Saúde recorda que, num país com cerca de 10 milhões de habitantes, em que 50 por cento da população é insuficientemente ativa, o custo anual do sedentarismo atinge os 900 milhões de euros, ou seja, 9 por cento do orçamento do Ministério da Saúde português.

E não estamos a ser pessimistas.

Em Portugal, de acordo com o Eurobarómetro de 2017, apenas 5 por cento dos portugueses com 15 anos ou mais praticavam regularmente exercício ou desporto, e também só 5 por cento declarou que fazia, habitualmente, outras atividades físicas, como andar de bicicleta.

E muitos mais números existem para descrever a realidade de que os portugueses se tornaram, inconscientemente, “treinadores de bancada”.

Mas esta realidade pode mudar.
Ser ativo e persistente é, no início, escolher uma atividade que goste, que esteja adaptada à sua vida e ao momento que melhor lhe aprouver.

Há várias maneiras de atingir a quantidade certa de exercício que, inicialmente, deve ser moderado.

Todas as pequenas atividades contam.

Fazer alguma coisa é melhor que não fazer nada.
Comece por fazer o que for capaz, depois tente melhorar, progressiva e continuamente.

Não desista, mas se for sedentário, comece devagar e depois vá aumentando o tempo e a frequência da atividade física.

Há muitas maneiras de atingir a quantidade certa de exercício (mais ou menos 150 minutos de atividade moderada semanal).

Caminhar é, normalmente, uma boa opção: nas primeiras duas semanas, 10 a 15 minutos por dia e, depois, vá juntando mais tempo e mais dias na semana, com caminhadas progressivamente maiores. Aí já poderá acelerar e fazer caminhadas mais enérgicas.

Ou diversificar, como por exemplo ensaiar passeios de bicicleta aos fins de semana. E não se esqueça de incluir a família e os amigos.

Tenha em atenção que alguns dos benefícios em saúde, que são muitos, começam a sentir-se imediatamente (não todos, claro), após o exercício, e é por isso que mesmo episódios curtos ou pequenos de atividade física são benéfico e ocorrem tanto em homens como em mulheres, crianças e jovens, adultos mais velhos, ou pessoas com doenças ou deficiências crónicas.

Lembre-se que o mais importante é mover-se mais e sentar-se menos, pela sua saúde.

*Internista e Coordenador do NEPRV

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Sobre a SPMI

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) é uma associação científica, fundada em 1951.

Tem como finalidade promover o desenvolvimento da Medicina Interna ao serviço da saúde da população portuguesa.

Promove ainda a investigação e o estudo de problemas científicos, bem como a organização de atividades educacionais, no âmbito da formação contínua, dirigidas aos médicos e à população em geral, no campo da Medicina Interna.

Para mais informações consulte https://www.spmi.pt/

Sobre o NEPRV

O Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular (NEPRV) da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna (SPMI) centra a sua atuação na investigação, formação e consciencialização de profissionais de saúde e da população no âmbito da doença aterotrombótica.

Este grupo é constituído por internistas associados da SPMI.


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