Adolescentes portugueses têm excesso de peso e uma má alimentação

por Teresa Mendes | 10.04.2019

Investigação integrada no estudo Health Behaviour in School-Aged Children
«Terão os adolescentes portugueses uma alimentação adequada?» é o título da investigação integrada no estudo Health Behaviour in School-Aged Children (HBSC), que conclui que «os comportamentos alimentares estão desajustados ao recomendado para esta faixa etária e que o excesso de peso e a imagem corporal são um problema relevante».

Estes resultados estão incluídos num relatório da HBSC publicado de quatro em quatro anos, em 48 países, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, sobre os comportamentos dos adolescentes.

Caracterizar os hábitos alimentares e perceções relativas ao corpo dos adolescentes foi o objetivo do estudo, que envolveu, em Portugal, 6997 alunos (51,7% raparigas) do 6.º, 8.º e 10.º ano, informa uma nota publicada no Portal do SNS.

Segundo o estudo, 54,7% dos adolescentes percecionam-se como tendo o corpo ideal.
As raparigas são as que mais se percecionam como estando «um pouco» gordas (28,5% versus 21,6%) e os rapazes «um pouco» magros (11,8 contra 17,3%).

«Terão os adolescentes portugueses uma alimentação adequada?» é o título da investigação integrada no estudo Health Behaviour in School-Aged Children, que conclui que «os comportamentos alimentares estão desajustados ao recomendado para esta faixa etária e que o excesso de peso e a imagem corporal são um problema relevante»

Ao longo da escolaridade mais adolescentes tendem a considerar o seu corpo um pouco gordo ou muito gordo e uma menor percentagem considera ter um corpo ideal.

Cerca de 45% e 33% dos adolescentes reportaram comer diariamente frutas e vegetais, respetivamente, enquanto um quarto disse consumir doces e colas (refrigerantes) quase todos ou todos os dias, sendo as raparigas a referirem um consumo mais frequente.

Ao longo da escolaridade, menos adolescentes referem tomar o pequeno-almoço diariamente e mais jovens dizem que nunca o fazerem.

Em termos gerais, o estudo conclui que «os adolescentes portugueses têm comportamentos alimentares desajustados ao recomendado para esta faixa etária e que o excesso de peso e a imagem corporal são um problema relevante nesta população».

Em declarações à agência Lusa, Nuno Loureiro, um dos autores do estudo, afirmou que existem alguns alunos que «não têm claro que têm excesso de peso, e se percebem [que o têm] terão a perceção que está sob controlo».

«Alguns destes alunos poderão ser atletas, e com a pressão por obter um corpo “Ronaldo”» ou «simplesmente porque a sua modalidade assim o determina, têm práticas intensas de exercício com grande predomínio de ganho muscular, algo que influencia e muito a fórmula de cálculo de IMC [Índice de Massa Corpora]», disse o professor do Instituto Politécnico de Beja.

Estes alunos entrarão no indicador em excesso de peso, mas terão satisfação com o seu peso, explicou. Também podem existir alunos que efetivamente estão com excesso de peso, mas que «estão satisfeitos como estão e são mais resistentes à mudança, digamos que podem ser classificados com estando no estado pré-contemplativo», adiantou.

«A perceção da imagem do corpo não está muitas vezes ligada ao valor da classificação do IMC, pois os jovens apresentam um valor normal e continuam a reportar estarem insatisfeitos com o seu corpo», sublinhou.

Considerou ainda «preocupante» 15,8% dos adolescentes terem excesso de peso e 3,1% obesidade, defendendo «estratégias efetivas» de apoio, como gabinetes multidisciplinares na escola, onde se concilie uma abordagem estruturada para alteração destes indicadores, «mas num ambiente sem culpas ou dramas, incentivando a adoção de estilos de vida saudável».

A coordenadora do estudo HBSC em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, acrescentou que ter uma alimentação saudável e moderada, rica em fibras e com baixo teor de gordura sal e açúcar, a par da atividade física, é essencial para combater o excesso de peso, mas reconheceu que muitas vezes é difícil pôr em prática na escola e em casa.
 
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10 de Abril de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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