Cientistas portugueses descobrem mecanismo de formação do vírus da gripe A

por Teresa Mendes | 10.04.2019

Infeções virais recorrem a processos de separação de fases 
Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriram o local onde os vírus da gripe A montam os seus genomas dentro das células infetadas.

A descoberta, que foi publicada esta terça-feira na revista Nature Communications, abre as portas para terapêuticas que previnam ou combatam novas estirpes de vírus da gripe.

O vírus da gripe A só se consegue multiplicar dentro das células do organismo que infetou porque necessita de utilizar a maquinaria celular do hospedeiro.

Quando ocorre a infeção, o vírus entra para dentro da célula e liberta o seu material genético e algumas proteínas.

Mas estes vírus têm uma particularidade fora do comum: o seu genoma está segmentado em oito partes distintas.
Assim, durante a multiplicação do vírus, as oito partes do material genético são replicadas muitas vezes, explica um comunicado do IGC.

A formação de novos vírus requer que esses oito segmentos sejam agrupados dentro de uma mesma partícula viral, o que implica uma seleção muito precisa a partir de milhares de moléculas que se encontram misturadas.

Até agora desconhecia-se onde é que essa seleção era feita, mas o estudo da equipa liderada por Maria João Amorim revela agora que «a seleção do material genético se faz em compartimentos chamados inclusões virais». 

«Os nossos resultados abrem caminho a terapias alternativas que ataquem a formação do genoma, ou o local onde o genoma é formado», salienta Maria João Amorim, explicando ainda que «este trabalho é inovador pois é uma das observações iniciais que demonstra que as infeções virais recorrem a processos de separação de fases» 

«Os investigadores descobriram que estes compartimentos não estão delimitados por uma membrana, como acontece com os organelos tradicionalmente conhecidos nas células.

Ao invés, as inclusões virais separam-se do meio que os rodeia por um processo designado por separação de fases, semelhante ao que acontece com o vinagre e azeite quando colocados juntos.

Desta forma, os segmentos de material genético do vírus são segregados e confinados a um espaço pequeno onde é mais fácil formar o genoma», explica a nota à Imprensa.

«Os nossos resultados abrem caminho a terapias alternativas que ataquem a formação do genoma, ou o local onde o genoma é formado», salienta Maria João Amorim no mesmo comunicado, explicando ainda que «este trabalho é inovador pois é uma das observações iniciais que demonstra que as infeções virais recorrem a processos de separação de fases».

O estudo pode ser lido na íntegra aqui.
 
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10 de Abril de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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