SIM diz que Francisco George é «cata-vento a querer dar lições de ética»

por Teresa Mendes | 22.04.2019

Ex-diretor geral da Saúde diz que médicos não têm direito à greve 
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acusa Francisco George de ser um «cata-vento a querer dar lições de ética», a propósito das recentes declarações do atual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, que disse que os médicos não têm direito a fazer greve e que a requisição civil é a atitude correta do Governo.

Num comunicado publicado quinta-feira, o sindicato diz mesmo que «vergonhoso será pouco» para classificar as declarações do antigo diretor-geral da Saúde numa entrevista ao jornal Público/Rádio Renascença, numa atitude de profundo desrespeito pela democracia e direitos constitucionais».

«Alpendorado no seu narcisismo e populismo pretende suspender a democracia.

"Menino da Linha", proclamou-se "comunista” em 26 de abril e conforme o vento soprou assim foram variando as suas opções políticas e partidárias.
Seguidista acrítico do poder e com um "Sim, Senhor Ministro” como lema de vida, dezenas de anos de afastamento da prática clínica assistencial e muitos anos praticando e defendendo um fundamentalismo normativo, só o ter atingido a idade limite para aposentação da função pública fez com que se afastasse.
Se há alguém menos indicado para dar lições de ética e deontologia, é esta personagem», lê-se na nota publicada no site do SIM.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acusa Francisco George de ser um «cata-vento a querer dar lições de ética», a propósito das recentes declarações do atual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, que disse que os médicos não têm direito a fazer greve e que a requisição civil é a atitude correcta do Governo 

O sindicato exige ainda «uma retratação pública» de Francisco George, lembrando que nas greves que tem decretado está sempre implícita a defesa do Serviço Nacional de Saúde e dos doentes, e que numa greve médica existem serviços mínimos que são escrupulosamente respeitados».

«Não concordo com greves de médicos ou de enfermeiros»

Numa entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, Francisco George, antigo diretor-geral da saúde, criticou as recentes greves dos enfermeiros e médicos e afirmou concordar com a extinção da ADSE.

«Não concordo com greves de médicos ou de enfermeiros. Não fazem sentido, não podem existir», disse respondendo a uma pergunta sobre a greve cirúrgica dos enfermeiros que parou vários blocos operatórios em fevereiro.

«No meu entendimento, a greve não é um direito para médicos e enfermeiros. Porquê? Porque quem é prejudicado não é o patronato, é o doente», disse, justificando a seguir: «Sou a favor de movimentos grevistas, quando são justos, e sobretudo quando são contra patrões.
Acontece que o doente não é o patrão do grevista. E esta é que é a grande diferença. O grevista lesa o patrão, mas quando o grevista é médico ou enfermeiro não está a lesar o patrão, está a lesar o doente.

Nenhum doente, a meu ver, devia ser molestado, devia ser desassossegado quando vai a uma consulta e vê que há greve. E depois são mais seis meses. Isto é inaceitável, intolerável no plano de ética que eu observo.»

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22 de Abril de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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