Insuficiência cardíaca mata até três vezes mais que o cancro da mama

26.04.2019

Alerta da SPC na véspera do seu congresso anual
A insuficiência cardíaca, que é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama e do cólon, está a aumentar, segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

Neste momento, já afeta meio milhão de portugueses. O alerta surge na véspera do Congresso Português de Cardiologia, que decorre em Vilamoura entre os dias 27 e 29 de abril.

Em declarações à Lusa, esta sexta-feira, o presidente da SPC, Vitor Gil, adianta que «o número de mortes por insuficiência cardíaca pode aumentar em 73% em 2036» e que «a carga da doença, que engloba os anos de vida perdidos por morte e incapacidade, vai crescer 28% relativamente a 2014».

Apesar dos dados divulgados esta semana, que indicam uma falta de conhecimento dos sintomas da doença por grande parte da população, «os portugueses identificam os sintomas e procuram um médico, mas por vezes associam mais à idade do que à insuficiência cardíaca». 

A insuficiência cardíaca, que é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama e do cólon, está a aumentar, segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia

«A falta de ar e o cansaço levam as pessoas a procurarem o médico, podem é não chamar insuficiência cardíaca a isso», afirma Vitor Gil, que defende que é preciso aumentar a literacia e, sobretudo, facilitar o acesso aos cuidados de saúde necessários.

«Tentar aumentar literacia é extremamente importante, mas tão importante ou mais é facilitar o acesso das pessoas. É frequente haver pessoas que estão preocupadas e não têm acesso imediato ao especialista ou até ao médico de família», advertiu o responsável.

Vitor Gil defende igualmente uma melhor estratégia de ligação entre hospitais e cuidados de proximidade. «É preciso uma estratégia multidisciplinar e de colaboração porque os doentes não são de ninguém, nem do cardiologista, nem do clínico geral.

O doente deve ser seguido de acordo com a sua situação na altura», considera, frisando que é preciso também fomentar a colaboração institucional entre centros de saúde e hospitais.

«Estimula-se que os médicos de família enviem doentes para os hospitais, mas pedir aos médicos de família para fazerem exames auxiliares de diagnóstico em ambulatório não é encorajado porque os orçamentos são diferentes. Isso facilitaria muito a vida dos hospitais, porque aliviava a carga dos exames auxiliares de diagnóstico em doentes de ambulatório», concluiu.

No congresso que decorre entre sábado e segunda-feira, a SPC vai promover, no Centro de Congressos do Algarve, em Vilamoura, um treino com 12 mil pessoas em Suporte Básico de Vida para sensibilizar a população para a morte súbita.

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