Estudo confirma amamentação como fator protetor para a obesidade infantil

por Teresa Mendes | 02.05.2019

Investigação da OMS-Europa divulgada no 26.º Congresso Europeu de Obesidade
Um estudo da Organização Mundial da Saúde para a Europa (OMS-Europa), coordenado por Ana Rito, investigadora do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), confirma que as crianças que nunca foram ou que foram parcialmente amamentadas têm maior probabilidade de se tornarem obesas em comparação com as que foram amamentadas exclusivamente seis ou mais meses.

Este trabalho, apresentado esta terça-feira no 26.º Congresso Europeu de Obesidade (ECO 2019), em Glasgow (Escócia), e que terminou ontem, analisa dados de taxas de aleitamento materno em 22 países da OMS-Europa, participantes na 4.ª ronda da iniciativa COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative).

De acordo com os resultados obtidos, «as crianças que nunca foram amamentadas ou que foram amamentadas por um período mais curto têm, respetivamente, 22% e 12% mais probabilidades de serem obesas». 

«As crianças que nunca foram amamentadas ou que foram amamentadas por um período mais curto têm, respetivamente, 22% e 12% mais probabilidades de serem obesas», revela a investigação 

Outra das conclusões da investigação refere que «foram encontrados resultados estatisticamente significativos em seis países, que confirmam o aumento do risco de obesidade para crianças nunca amamentadas, em comparação com a amamentação exclusiva por seis meses: Montenegro (90%), Malta (69%), Croácia (62%), Geórgia (53%), Espanha (25%) e Itália (21%)».

O estudo, denominado «Association between Characteristics at Birth, Breastfeeding and Obesity in 22 Countries: The WHO European Childhood Obesity Surveillance Initiative – COSI 2015/2017», recentemente publicado na revista Obesity Facts, e que incluiu dados de amostras representativas nacionais de mais de 100 mil crianças dos 6 a 9 anos de idade, indica ainda que «Portugal apresentou uma taxa de amamentação de 87,1%, mas somente 21% das mães amamentaram exclusivamente seis ou mais meses», sendo que apenas quatro países apresentaram uma taxa de amamentação exclusiva de 25% ou mais (durante seis ou mais meses), designadamente a Geórgia (35%), Cazaquistão (51%), Turquemenistão (57%) e Tajiquistão (73%).

«Considerando que a promoção do aleitamento materno representa uma “janela de oportunidade” para a política de prevenção da obesidade infantil na Europa, as políticas nacionais existentes para promover práticas de amamentação e como estas políticas são desenvolvidas podem levar alguns países a serem mais ou menos bem-sucedidos no combate à obesidade», defendem os autores, acrescentando que, «em geral, as práticas de aleitamento materno na Europa ficam aquém das recomendações da OMS, situação que pode ser justificada devido a políticas ineficientes de promoção do aleitamento materno, comercialização combinada com publicidade excessiva de substitutos do leite materno e ainda uma legislação deficiente na proteção à maternidade, entre outros».

Segundo João Breda, coordenador do Departamento Europeu de Prevenção e Controle de Doenças Não Transmissíveis da OMS e um dos autores deste trabalho, «estes dados trazem à luz que a adoção do aleitamento materno exclusivo está abaixo das recomendações mundiais e está longe da meta de aumentar a prevalência do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses até pelo menos 50% até 2025, endossada pelos Estados Membros da OMS na Assembleia Mundial da Saúde sobre Metas Globais de Nutrição».

Recorde-se que o estudo COSI tem como objetivo criar uma rede sistemática de recolha, análise, interpretação e divulgação de informação descritiva sobre as características do estado nutricional infantil de crianças dos 6 aos 9 anos, que se traduz num sistema de vigilância que produz dados comparáveis entre países da Europa e que permite a monitorização da obesidade infantil a cada 2-3 anos.

Participam atualmente neste estudo cerca de 40 países da Região Europeia da OMS, constituindo-se este como o maior estudo europeu da OMS com cerca de 300 mil crianças participantes.

Na qualidade de Centro Colaborativo em Nutrição e Obesidade Infantil da OMS/Europa, o Insa, através do seu Departamento de Alimentação e Nutrição, tem vindo a coordenar nos últimos 10 anos o estudo COSI Portugal, em articulação com a Direção-Geral da Saúde.

O estudo pode ser consultado na íntegra aqui.

Mais informações aqui.

Teresa Mendes

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02 de Maio de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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