Quase metade dos portugueses com asma ativa não têm a doença controlada

07.05.2019

Consumo de anti-histamínicos tem vindo a aumentar desde 2014
No Dia Mundial da Asma, que se assinala hoje, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e a Associação Portuguesa dos Asmáticos (APA) alertam para a falta de controlo da doença em Portugal.

Dos mais de 700 mil portugueses com asma ativa, 300 mil não têm a sua doença controlada e passam por crises de dificuldade respiratória.

«Quase só metade dos doentes com asma em Portugal tem a asma controlada. E estamos a falar de controlo nos vários estádios da doença, é transversal, tanto nas pessoas com asmas mais ligeiras como com asmas mais graves», afirmou esta segunda-feira Mário Morais de Almeida, presidente da APA, à agência Lusa.

Segundo o responsável, mais de um milhão de pessoas em Portugal tem um diagnóstico de asma, mas são cerca de 700 mil os que têm a asma ativa, com queixas no último ano ou a fazer tratamento preventivo.

Trata-se de uma patologia transversal aos vários grupos etários, desde crianças na primeira infância até aos idosos, «atingindo uma frequência de quase 10% em todos grupos».

No Dia Mundial da Asma, que se assinala hoje, a SPAIC e a APA alertam para a falta de controlo da doença em Portugal. Dos mais de 700 mil portugueses com asma ativa, 300 mil não têm a sua doença controlada e passam por crises de dificuldade respiratória 

Sobre o elevado número de pessoas sem a doença controlada, Morais de Almeida entende que é uma responsabilidade partilhada.
Por um lado, os médicos não passam por vezes boa informação ao doente asmático, mas há também casos de doentes que se vão acostumando às suas queixas e adaptando-se às suas limitações.

Ocorre ainda, segundo o especialista, que nem sempre se consegue nas consultas discutir de forma correta o que é exatamente o controlo da asma e há até um inquérito de 2010 que mostrava que 88% dos asmáticos não controlados considerava erradamente a sua doença como estando sob controlo.

«Temos de chamar a atenção de que a asma tem de ser controlada e que existem maneiras eficazes de a controlar.
É preciso alertar para os cuidados a ter com a patologia e prevenir agudizações da doença, sobretudo no período de maior prevalência de crises alérgicas, como é a primavera», defende Mário Morais.

Por isso, a APA e a SPAIC criaram um «Hino da Primavera», um videoclip temático para «difundir uma mensagem de alerta, consciencialização e otimismo face à asma», que pode ser visualizado aqui.

A música foi escrita e composta por Marcos César e tem como vocalistas o cantor Paulo Teixeira e o 'rapper' Kadypslon.
Consumo de anti-histamínicos tem vindo a aumentar Também ontem o Infarmed publicou um relatório sobre o uso de medicamentos anti-histamínicos em Portugal continental, relando que o mesmo tem vindo a aumentar desde 2014, tendo atingido os 6,3 milhões de embalagens em 2018.

De acordo com o documento, divulgado na véspera do Dia Mundial da Asma, em 2010 registou-se um consumo de 5,8 milhões de embalagens, número que viria a descer para 5,6 milhões em 2011, subindo para 5,7 milhões em 2012 e 2013, para 5,9 milhões em 2014, 6,1 milhões em 2015, 6,3 milhões em 2016, registando depois uma quebra para 6,1 milhões em 2017 e voltando a aumentar em 2018 para 6,3 milhões de embalagens, o que corresponde a 31 Doses Diárias Definidas (DDD) por cada 1000 habitantes por dia (DHD).

No que se refere à avaliação da utilização e despesa com anti-histamínicos os dados do Infarmed indicam que no período de 2010 a 2013 houve uma diminuição da despesa total, mas a partir de 2014 registou-se uma tendência de aumento, atingindo os 33,5 milhões de euros em 2018.

«O acréscimo nos últimos anos, de 2014 a 2018, pode ser explicado pela comparticipação de novos medicamentos, pela maior utilização de DCI já comparticipadas, mas também, embora com menor expressão, pela utilização de anti-histamínicos não sujeitos a receita médica», refere o documento, que pode ser consultado na íntegra aqui

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07 de Maio de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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