APCC apela ao encerramento dos solários

por Teresa Mendes | 09.05.2019

Equipamentos representam risco aumentado de 20% para o melanoma 
A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) apelou esta quarta-feira para o encerramento definitivo dos solários, embora de forma programada, frisando que está provado que as pessoas que os frequentam têm um risco aumentado de cancro de pele.

Em declarações aos jornalistas na apresentação do Dia do Euromelanoma, que será assinala a 15 de maio, o presidente da APCC lembrou que Portugal tem legislação, mas não se sabe se é feita, nem como a fiscalização.

«Há dados que provam a relação entre os bronzeamentos de solário e o risco aumentado de cancro de pele», afirmou Osvaldo Correia, mostrando números que indicam um risco aumentado de 20% para o melanoma, de 30% para o carcinoma basocelular e 70% para o carcinoma espinocelular.

O responsável lembrou ainda que na Austrália, onde os solários estão proibidos, as autoridades «perceberam cedo que não se conseguia chegar aos resultados que se queria apenas com a fiscalização».

«Ainda por cima não se coloca o problema de acabar com postos de trabalho, pois, em Portugal, os solários estão integrados em cabeleireiros e ginásios», acrescentou.

«Há dados que provam a relação entre os bronzeamentos de solário e o risco aumentado de cancro de pele», afirmou Osvaldo Correia, mostrando números que indicam um risco aumentado de 20% para o melanoma, de 30% para o carcinoma basocelular e 70% para o carcinoma espinocelular 

Presente da cerimónia, que decorreu em Lisboa, o representante da Direção-Geral da Saúde (DGS), Diogo Cruz, informou a DGS iria, em conjunto com as restantes entidades, recolher dados sobre quantos solários existem e em que locais, mas assumiu que «a legislação nacional está ainda de acordo com o que a Organização Mundial da Saúde defende».

Os dados, de 2012, indicam que cerca de 8% da população frequenta solários: «É muita gente. Mesmo que fosse apenas para evitar um ou outro caso de cancro já valia a pena [o encerramento]», afirmou o presidente da APCC, que sublinhou igualmente a necessidade de apurar os custos dos tratamentos que poderiam ser evitados com prevenção.

«É preciso estimular o autoexame e a proteção. É preciso que as pessoas procurem o seu dermatologista, mas acima de tudo é preciso ter dados sobre o número de casos para se poderem estimar custos», sublinhou, referindo-se à falta de dados sobre os cancros não melanomas no Registo Oncológico Nacional.

O responsável alertou igualmente para a «subnotificação» de casos, sobretudo dos não melanomas, o que dificulta as estimativas de custo e de meios necessários.

Os rastreios efetuados no ano passado pela APCC, a propósito do Dia do Euromelanoma, resultaram no registo de 22 casos de melanomas, 55 casos de carcinomas basocelulares e 17 carcinomas espinocelulares.
Foram ainda detetados 133 casos de queratose actínica, que é a lesão pré-cancerosa da pele mais frequente.

Segundo os dados deste rastreio, das 1602 pessoas observadas, apenas 28% usava protetor solar em todas as atividades com exposição solar.

O Dia do Euromelanoma decorre a 15 de maio, dia em que 44 serviços de Dermatologia em todo o país vão fazer o rastreio gratuito a mais de 1600 pessoas, sobretudo a população de risco: com anteriores queimaduras solares, com antecedentes de cancro de pele ou que trabalham diariamente sob exposição solar.

Os locais onde será possível efetuar os rastreios podem ser consultados aqui

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09 de Maio de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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