Hospital de Loures bloqueia consultas a médicos para evitar multas do Estado

por Teresa Mendes | foto de "DR" http://www.hbeatrizangelo.pt/pt/galeria | 03.06.2019

CA nega acusações e diz que realiza mais consultas do que o contratado 
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul acusa o administração do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, de «bloquear a agenda dos médicos, obrigando à marcação exclusivamente de primeiras consultas e impedindo a marcação de consultas subsequentes, durante 30 dias por ano, caso se preveja que o número total de primeiras consultas seja inferior ao contratualizado anualmente com o Ministério da Saúde».

«Trata-se de uma manobra na qual a administração da PPP, por motivos económicos, impõe a realização de primeiras consultas aos médicos, desrespeitando os critérios clínicos, ao contrário do que aconselhariam os bons cuidados em saúde», denuncia aquele sindicato da Federação Nacional dos Médicos num comunicado.

Na informação divulgada é ainda referido que «a PPP de Loures está contratualmente obrigada a que pelo menos um terço do total de consultas realizadas sejam primeiras consultas, sob pena de, se não o cumprir, ficar sujeita a multas», acrescentando aquela estrutura sindical que «as primeiras consultas são melhor remuneradas pelo Estado para a Sociedade Gestora do Hospital de Loures, pertencente ao Grupo Luz Saúde, do que as consultas subsequentes».

«Independentemente do número de consultas realizadas, a regra do “bloqueio” das agendas médicas aplica-se a todas as especialidades, mesmo aquelas que previsivelmente cumpram o contratualizado, para que possam colmatar “a falta” de outros serviços», sublinha o SMZS, que apela à realização de uma auditoria pelas entidades competentes».

«Trata-se de uma manobra na qual a administração da PPP, por motivos económicos, impõe a realização de primeiras consultas aos médicos, desrespeitando os critérios clínicos, ao contrário do que aconselhariam os bons cuidados em saúde», denuncia o Sindicato dos Médicos da Zona Sul 

Entretanto, o conselho de administração (CA) do hospital já negou as acusações, respondendo que está a «cumprir escrupulosamente» o que foi acordado com o Estado e que até fazem mais consultas do que o que está previsto no contrato.

«O Hospital Beatriz Ângelo tem entendido ser fundamental assegurar os melhores cuidados à população, realizando, por isso, todos os anos, um número de consultas muito superior (mais de dois milhões de euros em consultas acima do contratado, entre 2015 e 2018).

E, quando o número de primeiras consultas ou de consultas subsequentes é excedido, o hospital referencia os seus doentes para hospitais centrais da área de Lisboa», como o Hospital de Santa Maria, diz o CA citado pelo jornal Público.

Teresa Mendes

Referências:
https://www.smzs.pt/
http://www.hbeatrizangelo.pt/pt/

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03 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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