Greve geral de médicos marcada para os dias 2 e 3 de julho

por Teresa Mendes | 04.06.2019

Sindicato acusa Ministério de «atitude de hostilidade» 
O Conselho Nacional da Federação Nacional dos Médicos (Fnam) que reuniu, este fim-de-semana, em Coimbra, decidiu avançar esta segunda-feira com a marcação de uma greve nacional para o próximo dia 3 de julho.

Entretanto, o Sindicato Independente dos Médicos disse à Lusa que vai também agendar um dia de greve, para o dia 2 de julho, somando assim dois dias de paralisação.

«Apesar da realização de duas greves em 2017 e uma greve em 2018, o atual Ministério da Saúde continua a recusar negociar», lamenta a Fnam, que esteve reunida para análise do resultado das negociações com o Ministério da Saúde, quase quatro anos após a tomada de posse do atual Governo, em outubro de 2015.

Para além da recusa em negociar, «este Governo afrontou o sindicalismo médico ao legislar, de forma unilateral, a atribuição de incentivos à mobilidade geográfica de trabalhadores médicos – trazendo maior discriminação – um novo regime jurídico da gestão hospitalar e uma nova regulamentação dos CRI», observa aquele sindicato, considerando que a mudança de ministro de Saúde, em outubro de 2018, «nada acrescentou, mantendo-se a postura de empatar e diferir a tomada de decisões, bem como uma atitude de alguma hostilidade contra os médicos, de que é exemplo as afirmações desrespeitosas sobre a obrigatoriedade da permanência dos jovens médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) após o término da especialidade, menosprezando o seu contributo para a manutenção do SNS».

A Fnam decidiu avançar esta segunda-feira com a marcação de uma greve nacional para o próximo dia 3 de julho. Entretanto, o Sindicato Independente dos Médicos disse à Lusa que vai também agendar um dia de greve, para o dia 2 de julho, somando assim dois dias de paralisação

Num comunicado, a Fnam recorda igualmente a «recusa da negociação de Acordos Coletivos de Trabalho que permitam a instituição da carreira médica no Ministério da Justiça (em relação aos médicos do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses), no Ministério da Defesa (em relação aos médicos civis) e do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (em relação aos médicos de SAMS)», responsabilizando «inteiramente o Ministério da Saúde por promover a fuga dos médicos para o sistema privado e para o estrangeiro, pela degradação contínua das condições de trabalho, pela desorganização dos serviços públicos de saúde e pela deterioração da qualidade dos cuidados de saúde prestados aos doentes».

Entre as reivindicações dos médicos – 16 no total - estão melhorias na profissão como «o limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência, dentro do horário normal de trabalho», «o desencadeamento imediato do processo de revisão da carreira médica e das respetivas grelhas salariais» ou «o desenvolvimento de uma reforma da saúde pública, com objetivos claros e sem instrumentalizações iníquas».

Recorde-se que as duas estruturas sindicais têm prevista uma reunião negocial com o Governo para a próxima sexta-feira, dia 7.

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04 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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