SPPSM quer reposição da comparticipação dos antipsicóticos para os 100%

por Teresa Mendes | 07.06.2019

Petição já recolheu mais de 1200 assinaturas em apenas dois dias 
A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM) lançou, esta quarta-feira, uma petição que pretende ver reposta a comparticipação dos antipsicóticos para os 100%, como aconteceu até 2010. Em apenas dois dias já recolheu mais de 1200 assinaturas.

A SPPSM recorda que até 2010 existiu um regime especial de comparticipação de psicofármacos, onde se incluem os antipsicóticos, «que potenciava uma maior adesão à terapêutica com impacto considerável na prevenção de recaídas, estabilização de sintomas e menor recurso a internamentos». 

Nesse ano foi eliminado o referido regime especial e esses medicamentos passaram a situar-se no escalão A - comparticipado a 95% no regime especial e 90% no regime geral - «tendo-se observado de 2011 em diante uma diminuição dos encargos do SNS e dos utentes com estes medicamentos, sugerindo uma menor adesão à terapêutica», adverte a petição.

A SPPSM chama a atenção para «o impacto indireto desta doença, decorrente do absenteísmo, não participação no mercado de trabalho, produtividade reduzida destas pessoas se cifra, de forma conservadora, em 340 milhões de euros», destacando que «os custos diretos (internamento, reabilitação, ambulatório, hospital de dia, medicamentos, etc.) da esquizofrenia, avaliados em 96,1 milhões de euros/ano, serão sempre maiores quanto menor for a adesão à terapêutica».

No texto é feita a referência às recaídas que ocorrem frequentemente sobretudo por falta de adesão à terapêutica, resultando em danos cognitivos irreversíveis para o doente e estão associadas a longos períodos de hospitalização que fazem crescer os custos diretos.

A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental lançou, esta quarta-feira, uma petição que pretende ver reposta a comparticipação dos antipsicóticos para os 100%, como aconteceu até 2010. Em apenas dois dias já recolheu mais de 1200 assinaturas 

«Um doente recidivo pode custar até 2 a 5 vezes mais que um doente que nunca recaiu», lê-se no texto, que evidencia que «a falta de adesão à terapêutica pode decorrer de falta de rendimentos, uma vez que cerca de 80 por cento dos esquizofrénicos não têm emprego (destes, 70% dependem financeiramente de pais e familiares) e que para a maior parte dos doentes reformados ou reformados por invalidez, o valor mensal bruto da pensão se situa entre os 200 e 300 euros mensais». 

A petição está disponível aqui.  

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07 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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