«Está a ser dado gato por lebre» às crianças do Barlavento Algarvio

por Teresa Mendes | 12.06.2019

SIM diz que ERS e Ordem dos Médicos» devem atuar
 O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) garantiu, este sábado, que o atendimento no Serviço de Urgência Pediátrica da Unidade Hospitalar de Portimão «não será comprometido, estando assegurado pela equipa de clínicos gerais, com competências em Pediatria».

Mas o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) diz que «está a ser dado gato por lebre» às crianças do Barlavento Algarvio.

«Um serviço de urgência hospitalar de Pediatria que não é assegurado por Médicos Especialistas em Pediatria? Por clínicos gerais que não são sequer médicos especialistas... E com “competência”, um título conferido pela Ordem dos Médicos em Pediatria?», questiona o sindicato, considerando que este é «um campo fértil para atuação da Entidade Reguladora da Saúde e da Ordem dos Médicos».

Recorde-se que o SIM denunciou este sábado o encerramento até terça-feira – hoje, dia 11 de junho - da maternidade do Hospital de Portimão por falta de médicos pediatras, ficando, segundo a administração hospitalar, garantidos apenas os partos eminentes e ou emergentes.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do SIM, Roque da Cunha, afirmou que o encerramento da maternidade, «deve-se à falta de médicos pediatras que assegurem os cuidados neonatais em presença física», sendo as grávidas encaminhadas para o Hospital de Faro.

O CHUA garante que o atendimento no Serviço de Urgência Pediátrica da Unidade Hospitalar de Portimão «não será comprometido, estando assegurado pela equipa de clínicos gerais, com competências em Pediatria». Mas o Sindicato Independente dos Médicos diz que «está a ser dado gato por lebre» às crianças do Barlavento Algarvio 

«Não havendo médicos disponíveis para garantir os mínimos de segurança para as grávidas que ali recorram, manda a prudência que o serviço encerre, e é o que vai acontecer até terça-feira, altura em que a situação será reposta», sublinhou Roque da Cunha.

Por seu turno, numa nota escrita enviada à Lusa, a administração do CHUA reconheceu «dificuldades em assegurar os períodos da escala entre as 16:30 do dia 07 e as 09:00 do dia 11 de junho».

«A carência de profissionais ao nível da especialidade de Pediatria na unidade Hospitalar de Portimão é reconhecida.

O conselho de administração tem trabalhado com empenho no sentido de garantir todas as escalas, no entanto por motivos alheios ao órgão de gestão, haverá dificuldade em assegurar períodos da referida escala», justifica a administração do CHUA.

De acordo com entidade gestora dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do Algarve, «foram adotadas internamente e de forma organizada com os seus próprios recursos, um conjunto de medidas que visam minorar os eventuais impactos da falta de especialistas nesta área».

Assim, no Hospital de Portimão, até às 09:00 do dia 11, apenas se realizarão os partos eminentes e/ou emergentes, sendo as grávidas em trabalho de parto “com condições de transferência em segurança», encaminhadas para a Unidade Hospitalar de Faro.

Durante aquele período, as parturientes de risco internadas no serviço de obstetrícia, serão transferidas, de acordo com o protocolo clínico, para a Unidade Hospitalar de Faro, uma vez que é nesta unidade que se encontra a maternidade mais diferenciada, com apoio de uma Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais.

Segundo a administração do CHUA, as crianças que necessitem de apoio mais diferenciado na especialidade serão encaminhadas, «tal como estipula o protocolo clínico, para a Unidade Hospitalar de Faro».

Na mesma nota à Imprensa, o CHUA garante que o atendimento no Serviço de Urgência Pediátrica da Unidade Hospitalar de Portimão «não será comprometido, estando assegurado pela equipa de clínicos gerais, com competências em pediatria».

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11 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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