Oncologia do CHTV «atingiu o ponto de rutura»

por Teresa Mendes | 12.06.2019

Faltam recursos humanos e instalações dignas 
O Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) está em rutura e a cirurgia oncológica naquela unidade também está em risco, alertaram esta terça-feira a Ordem dos Médicos e os dois sindicatos médicos.
Faltam recursos humanos e instalações dignas. 

Num comunicado conjunto, o Sindicato dos Médicos da Zona Centro, o Sindicato Independente dos Médicos e o Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos salientam que «a situação atingiu o ponto de rutura» e que «os oncologistas assumem a incapacidade de garantir a consulta e tratamentos de quimioterapia para novos doentes».

O Serviço de Oncologia é «altamente deficitário em recursos humanos e limitado por instalações físicas exíguas, indignas para o propósito que cumprem", lamentam os sindicatos e a Ordem dos Médicos.

De acordo com as três entidades, esta situação limite, «que já previsível desde há vários meses», levou a que «nas últimas semanas os doentes com necessidade de iniciar quimioterapia estejam em suspenso à espera de uma solução», advertindo que a quimioterapia «tem uma janela limite de eficácia».

Num comunicado conjunto, o Sindicato dos Médicos da Zona Centro, o Sindicato Independente dos Médicos e o Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos salientam que «a situação atingiu o ponto de rutura» e que «os oncologistas assumem a incapacidade de garantir a consulta e tratamentos de quimioterapia para novos doentes»

O comunicado informa ainda que os cirurgiões deste centro hospitalar assumiram já, perante a direção clínica, a sua «indisponibilidade para levar a cabo qualquer intervenção cirúrgica do foro oncológico que não cumpra estes pressupostos».

Os sindicatos e a Ordem dos Médicos sublinham que, para os doentes oncológicos, «muitos deles debilitados física e psicologicamente, uma solução que envolva múltiplas viagens para outra instituição é simplesmente incomportável».

«É responsabilidade do Ministério da Saúde assumir a condução deste assunto, de extrema gravidade, fruto da política de desinvestimento no SNS (Serviço Nacional de Saúde)», acrescentam os signatários, acrescentam.

Entretanto, também num comunicado, o conselho de administração do CHTV veio esclarecer que «tem vindo a ponderar, e a executar, medidas com vista a ultrapassar a carência de profissionais da área da Oncologia, minimizando eventuais transtornos para os doentes».

Neste âmbito, «recentemente e de forma imediata, foi possível proceder à contratação de um especialista em regime de prestação de serviços e assegurar a continuidade da colaboração de uma médica oncologista até final do ano, antevendo-se, desde já, a possibilidade de contratação futura».

O conselho de administração explica que «enquanto se encontra a decorrer o concurso de recrutamento de um especialista para Oncologia no CHTV, têm sido mantidos contactos com o IPO (Instituto Português de Oncologia) de Coimbra, com o objetivo de estabelecer uma parceria estratégia permanente ao nível dos recursos humanos altamente qualificados, e com oncologistas do Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro».

Comprometendo-se a «ultrapassar as atuais dificuldades», o conselho de administração enaltece o esforço que os médicos oncologistas têm feito «em prol do bem-estar dos doentes e da segurança e qualidade reconhecidas dos tratamentos ministrados».

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12 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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