«Não vamos deixar a ministra fechar o Pulido Valente»

18.06.2019

OM critica «caminho de desmantelamento» do Pulido Valente 
«Não vamos deixar a ministra fechar o Pulido Valente» é o título da nota enviada esta terça-feira pela Ordem dos Médicos (OM) à Lusa.
O organismo exige que Marta Temido dê explicações sobre a falta de anestesistas ao fim de semana no Hospital de Pulido Valente, em Lisboa, considerando que este é «mais um exemplo do caminho de desmantelamento» seguido pela ministra da saúde.

A falta de anestesiologistas em presença física no Pulido de Valente, pelo menos no fim de semana passado, «fragiliza a resposta à população da zona de Lisboa» e torna o Serviço Nacional de Saúde (SNS) «incapaz de responder ao seu desígnio de universalidade e equidade», considera o bastonário Miguel Guimarães, que assina o comunicado.

Esta reação surge após a Lusa ter dado conta que, no sábado passado, os médicos do Pulido Valente foram surpreendidos com a falta de anestesistas com presença física na unidade hospitalar, tendo manifestado a sua preocupação.

«A decisão, já de si condenável na sua essência, é substancialmente agravada ao não ser devidamente comunicada aos médicos das restantes especialidades que estavam de serviço e que desconheciam que não havia um anestesiologista escalado, pelo que em caso de urgência a resposta aos doentes poderia ter sido comprometida», sublinha o bastonário que pede «uma explicação cabal da ministra da Saúde e da administração do Centro Hospitalar».

Num comunicado divulgado no domingo o Centro Hospitalar indicava que estava um anestesista de prevenção a menos de 30 minutos do hospital.

Mas para a Ordem dos Médicos isso não é suficiente e «não é compatível com os tempos de resposta e a diferenciação dos casos acompanhados no Pulido de Valente».

Recorde-se que depois do caso da falta de anestesistas no Pulido de Valente ter sido tornado público, 12 médicos dirigentes de serviços e unidades do hospital enviaram uma carta ao diretor clínico exigindo esclarecimentos, lamentando a ausência de justificação e de comunicação sobre esta medida e pedindo «um esclarecimento cabal da situação» para os profissionais e utentes.

Os médicos receiam que a falta de presença física de anestesistas ao fim de semana «não seja compatível com o tempo de resposta e a diferenciação que a gravidade e a complexidade dos doentes exigem».

O grupo de 12 médicos com funções de coordenação vem reafirmar a sua apreensão e pedir que se esclareça se a decisão de não ter anestesistas na escala, em presença física, ao fim de semana é «pontual ou para aplicar sistematicamente» a partir de agora.

A carta é assinada por 10 coordenadores de unidades do Pulido de Valente e ainda por dois diretores de serviço, o de Cirurgia Torácica e de Medicina III. 

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18 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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