Aumento da mortalidade materna e infantil são reflexo da falta de especialistas

por Teresa Mendes | 18.06.2019

OM defende alteração da forma e prazo dos concursos médicos 
A Ordem dos Médicos (OM) defende a necessidade de alterar urgentemente a forma e os prazos dos concursos para especialidades médicas, apontando o fecho recente de urgências de Ginecologia/Obstetrícia por falta de especialistas.

Numa nota enviada às redações, o organismo lembra o encerramento no passado sábado, pela quinta vez este ano, da urgência de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital de Beja, por falta de um segundo médico especialista.

Os hospitais de Portimão, Évora, S. Francisco Xavier e Amadora-Sintra são outros exemplos de instituições com dificuldades recentemente conhecidas.

«Temos tido concursos assimétricos, disfuncionais e insuficientes nas várias especialidades, mas muito concretamente na Ginecologia/Obstetrícia, com impacto imediato e direto em indicadores que tanto nos orgulhavam e que eram elogiados a nível internacional, como a mortalidade materna e a mortalidade infantil», afirma o bastonário da OM, citado no comunicado.

Miguel Guimarães alerta igualmente fara o facto de estas falhas estarem também «a ter reflexo no aumento do número de cesarianas e nos tempos de espera para consultas e cirurgias».

Na OM estão inscritos 1400 médicos especialistas em Ginecologia e Obstetrícia com menos de 70 anos, sendo que apenas 850 trabalham no Serviço Nacional de Saúde. 

A Ordem estima que seriam necessários pelo menos mais 150 especialistas, sendo que, para o efeito, é «urgente alterar os prazos e a forma como os concursos são conduzidos no país», defende o responsável.

«Apesar de em 2019 o Ministério da Saúde já ter aberto dois concursos, a verdade é que o processo é feito de forma acrítica e, em vez de servir as necessidades dos hospitais, acaba por ser indutor de entropia», considera Miguel Guimarães dando o exemplo do Norte do país, onde «só abriram cinco vagas para uma população de 3,7 milhões de pessoas».

«O concurso de janeiro contou com 14 vagas e o de maio com 31 vagas, sendo que entre 2016 e 2019 formaram-se, em média, 45 especialistas por ano e abriram em média 30 vagas por ano no SNS», explica.
Dessas vagas, em média, «só 15 são ocupadas».

«Estes números comprovam que não há falta de especialistas em Portugal, mas sim um défice de abertura de vagas e de ocupação das mesmas», defende, por seu turno, o presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia, João Bernardes, também citado no comunicado, considerando que «é necessário continuar a insistir na abertura de vagas e, sobretudo, na alteração da forma como se realizam os concursos».

«Temos tido concursos assimétricos, disfuncionais e insuficientes nas várias especialidades, mas muito concretamente na Ginecologia/Obstetrícia, com impacto imediato e direto na mortalidade materna e a mortalidade infantil», afirma o bastonário da OM 

A OM defende uma alteração no sentido de tornar «mais previsível a altura e local em que as vagas serão abertas» e que esse trabalho seja feito «de forma consistente».

«É ainda imperioso que as vagas não ocupadas, ou deixadas livres depois de uma ocupação inicial, se mantenham abertas e se desenvolvam os programas de incentivos para a colocação de especialistas em zonas periféricas», acrescenta o comunicado.

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18 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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