ANEM acusa Marta Temido de «enorme distanciamento da realidade»

por Teresa Mendes | 24.06.2019

Associação alerta que «um médico não especialista não é altamente qualificado»
A Associação Nacional dos Estudantes de Medicina (ANEM) «condena veementemente», numa carta aberta, as declarações da ministra da Saúde sobre os médicos que não têm acesso à formação especializada, considerando que a atitude «demonstra uma falta de perceção enorme sobre a realidade da prestação de cuidados de saúde em Portugal».

Em causa as afirmações proferidas por Marta Temido na passada quarta-feira, dia 19 de junho, na Comissão Parlamentar de Saúde.
«O acesso à especialidade é importante, mas uma força de trabalho em saúde deve ser diversificada.

Não se faz só com a oferta de especialistas altamente qualificados. Um não-especialista pode ser igualmente qualificado», disse na altura a ministra da Saúde.

«Consideramos que as afirmações proferidas são gravíssimas e demonstram um claro distanciamento para com a realidade», salientam os estudantes de Medicina.
Segundo a ANEM, «um médico “não especialista” não é altamente qualificado ou diferenciado face aos seus pares.

De facto, não lhe foram transmitidos os conhecimentos, experiência e a orientação de que necessitava para o ser, porque viu a sua formação ser interrompida». Para além disso, «um médico “não-especialista” não possui um perfil mais genérico de competências que lhe permita exercer noutra área que não a clínica, pois o seu currículo tanto não está orientado para o capacitar nesse sentido como não expôs a esses contextos», lê-se no documento.

Para os estudantes de Medicina, a existência de médicos “não-especialistas” «não é apenas prejudicial para os próprios, que têm que assumir esta responsabilidade para com os utentes, mas também para o Estado» e, fundamentalmente, para os doentes 

Mas, para os estudantes, a existência de médicos “não-especialistas” «não é apenas prejudicial para os próprios, que têm que assumir esta responsabilidade para com os utentes, mas também para o Estado, que investiu valores avultados durante sete anos da sua formação pré-graduada e pós-graduada, sem que esta possa ser concluída e aproveitada em prol de um SNS de qualidade e direcionado para o cidadão».

Adicionalmente, alertam, «a subsistência de médicos não-especialistas é sobretudo prejudicial para o doente que, na sua condição de vulnerabilidade, confia na prestação de cuidados diferenciados e adequados às suas necessidades e no compromisso que o Estado assumiu perante si».

A carta aberta pode ser consultada na íntegra aqui.

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24 de Junho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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