Médicos escrevem carta «anticalúnia» para esclarecer utentes

por Teresa Mendes | 02.07.2019

Greve nacional decorre hoje e amanhã
Numa carta aberta aos utentes sobre os motivos para a greve nacional que se inicia hoje, dia 2 de julho, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alega que «os médicos se fartaram de ser interlocutores empenhados de um Governo e um Ministério da Saúde que agem com deliberado desrespeito e sem real interesse em chegar a acordo sobre uma imensidade de questões».

Alertando que «os responsáveis políticos e governamentais tudo farão para descredibilizarem os médicos e a sua luta» e «intoxicarem a opinião pública e a comunicação social com mentiras e mitos desta privilegiada classe», o SIM publica o que chama de «guia anticalúnia».

Neste guia que pode ser consultado na íntegra aqui - o sindicato lembra que os médicos têm o mestrado «mais longo e mais exigente (seis anos) de acesso mais difícil e seletivo (médias acima de 18)», que se entregaram «52 horas por semana ao seu internato médico de especialidade (que dura 4 a 6 anos)», ao mesmo tempo em que «tentam ter vida familiar e social».

Numa carta aberta, o SIM alega que «os médicos se fartaram de ser interlocutores empenhados de um Governo e de um Ministério da Saúde que agem com deliberado desrespeito e sem real interesse em chegar a acordo sobre uma imensidade de questões»

Sobre os salários, o SIM sublinha que «um médico funcionário público que trabalhe num grande hospital e que seja assistente graduado, um cirurgião cardiotorácico com 15 anos de especialista, por exemplo, ganha o horror de 3.621,60 euros, ilíquidos por mês, para uma semana de trabalho de 40 horas, com as progressões bloqueadas desde 2005 e só em 2018 parcialmente desbloqueadas».

«A verdade é que a maior parte dos médicos nos hospitais aufere menos do que 2.000 euros líquidos», acrescenta aquela estrutura sindical.

O sindicato desmente ainda que os médicos sejam os funcionários públicos que mais ganhem, dizendo que «um médico pode aspirar a ganhar, no final da sua vida ativa e depois de múltiplos exames e provas públicas, o que um senhor juiz ou um senhor magistrado ganham ao fim de sete anos de exercício num Tribunal ou Comarca de primeira instância».
«Um médico nunca chegará ao vencimento de um professor universitário», alega o comunicado.

Sobre a «acusação constante» de que «os médicos se encobrem uns aos outros», o SIM defende que «quanto mais os médicos exigem para si em termos técnicos mais defendidos estão os doentes» e que «a responsabilidade médica é intransmissível e os seguros existentes, pagos pelo próprio médico e não pelo empregador, nunca ilibam a má prática (crime)».

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02 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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