Excesso de peso e obesidade infantil diminuíram mais de 20% numa década

por Teresa Mendes | 11.07.2019

Dados preliminares da 5.ª fase do COSI Portugal  
 O excesso de peso e obesidade infantil caíram mais de 20% numa década, atingindo os objetivos da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os dados preliminares da 5.ª fase do COSI Portugal (Sistema de Vigilância Nutricional Infantil do Ministério da Saúde), apresentado esta quarta-feira, em Lisboa.

De acordo com este sistema de vigilância nutricional das crianças em idade escolar (dos seis aos oito anos), coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa), de 2008 para 2019 a prevalência de excesso de peso infantil diminuiu de 37,9% para 29,6% e a obesidade de 15,3% para 12,0%, o que representa, nos dois indicadores, reduções de mais de 20%.

Todas as regiões portuguesas mostraram ao longo dos anos uma redução na prevalência de excesso de peso, incluindo obesidade, mas como salienta o relatório, a queda foi mais acentuada nos Açores (de 46% para 35,9%) e na região Centro (de 38,1% para 28,9%).

«Com a evolução e o trabalho desenvolvido ao longo de anos, o nosso País cumpre o desafio lançado em 2006, na Conferência Interministerial da OMS em que Portugal assinou a Carta Europeia da Luta contra a Obesidade, uma vez que consegue, não só travar o crescimento desta epidemia nas crianças, como inverter a tendência crescente», salienta a Direção-Geral da Saúde num comunicado.

Apesar dos números positivos, a prevalência da obesidade infantil continua a ser uma preocupação, com o documento a demonstrar que a mesma aumentou com a idade, existindo atualmente 15,3% das crianças de oito anos obesas, incluindo 5,4% com obesidade severa, um valor que é de 10,8% nas crianças de seis anos (2,7% obesidade severa).

O excesso de peso e obesidade infantil caíram mais de 20% numa década, atingindo os objetivos da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os dados preliminares da 5.ª fase do COSI Portugal (Sistema de Vigilância Nutricional Infantil do Ministério da Saúde) 

Presente na sessão de apresentação dos dados, a secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte, congratulou-se com os resultados, mas avisou que é preciso olhar para as ameaças e não «descansar sobre os louros».

«São boas notícias, mas é preciso olhar para ameaças como as assimetrias regionais e o aumento da prevalência com a idade, por exemplo.
Temos excelentes resultados, mas é preciso não descansar sobre os louros», alertou Raquel Duarte.

A governante chamou ainda a atenção para os últimos dados relativos aos hábitos alimentares em Portugal, que indicam que 40% dos adolescentes bebe refrigerantes diariamente, mais de metade tem um consumo de hortofrutícolas abaixo do recomendável e mais de 20% consome açúcar acima dos níveis recomendados.

A Região do Algarve foi a que apresentou menor prevalência de excesso de peso infantil (21,8%) e os Açores a maior (35,9%). Já a Região do Alentejo foi a que mostrou menor prevalência de obesidade infantil (9,7%).

Segundo a informação recolhida, são os rapazes os que mais se desviam do peso normal. O excesso de peso atinge 29,6% dos meninos (contra 29,5% das meninas), dos quais 13,4% são obesos e, destes, 4,1% têm obesidade severa.

Coordenado por Ana Rito, investigadora do Departamento de Alimentação e Nutrição do Insa, o COSI Portugal 2019 revela também que a prevalência de baixo peso foi igualmente maior nos rapazes (1,6%) comparativamente com as raparigas (0,9%).

O relatório pode ser consultado aqui.

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11 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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