Saúde Mental é o «parente pobre da saúde em Portugal»

por Teresa Mendes | 12.07.2019

Relatório denuncia «baixa autonomia e capacidade de decisão»
O Relatório de Primavera 2019, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), considera que a Saúde Mental é o «parente pobre da saúde em Portugal», destacando o facto de esta área «sempre ter permanecido atrasada em comparação com a evolução da psiquiatria europeia, no que diz respeito ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença mental».

De acordo com a equipa que redigiu o documento, constituída por investigadores e académicos, o mesmo tem acontecido com a aplicação das recomendações internacionais (nomeadamente o modelo da comunidade) «que nunca foram conseguidas de forma rápida e completa, fruto da uma orientação política sempre sustentada em preocupações de cariz economicista, que não confere dignidade a estes cidadãos». 

Da mesma forma, «a importante função de cuidadores, que normalmente recai sobre as famílias, não é devidamente reconhecida, exigindo-lhes esforços suplementares económicos, físicos e mentais apesar de, para o Estado, as famílias representam um importante recurso económico», lê-se no relatório.
 
Nesse sentido, é defendida a necessidade de «um compromisso transversal que assegure um investimento sustentável nesta área da Saúde e que permita dotar o SNS das ferramentas que precisa para que os objetivos de melhoria contínua na saúde mental possam ser atingidos». 

O Relatório de Primavera 2019, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, considera que a Saúde Mental é o «parente pobre da saúde em Portugal», destacando o facto de esta área «sempre ter permanecido atrasada em comparação com a evolução da psiquiatria europeia, no que diz respeito ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença mental» 

Um dos entraves para o desenvolvimento nesta área tem sido «a baixa autonomia e capacidade de decisão dos responsáveis pela implementação do Plano Nacional de Saúde Mental e dos centros de decisão locais, que compromete a melhoria dos cuidados na comunidade, a ausência de coordenação e a grande concentração de recursos humanos apenas nos hospitais centrais e a inadequação dos modelos de financiamento e gestão».
A estes, «juntam-se os problemas na articulação com os cuidados de saúde primários, com as administrações regionais de saúde e com a Rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental», conclui o documento. 

O capítulo do documento sobre as Políticas de Saúde Mental debruçou-se também sobre a escassez de psicólogos no SNS, partindo da avaliação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera que «uma das fraquezas nas reformas portuguesas de saúde mental está associada à escassez e à baixa qualificação dos recursos humanos nos serviços de saúde mental, assente essencialmente no tratamento farmacológico, e apresentando componentes psicossociais pobres».

Ainda neste capítulo, foi feita uma breve análise sobre o consumo de psicofármacos. Segundo os autores, «Portugal ocupa o primeiro lugar comparativamente a todos os outros países da OCDE, no ano de 2017», considerando que «esta é uma questão que deve merecer a atenção dos decisores pelos impactos presentes e futuros que pode representar a nível de saúde individual e de impactos financeiros e das tendências mais recentes revelarem um consumo crescente».

O Relatório de Primavera pode ser lido na íntegra aqui.

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12 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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