Nove em cada 10 idosos seguidos CSP sentem-se sozinhos

por Teresa Mendes | 22.07.2019

Investigação liderada pelo Cintesis, em parceria com a ARS do Norte 
Nove em cada 10 idosos seguidos nos cuidados de saúde primários (CSP) sentem algum grau de solidão, sendo que um terço reporta mesmo níveis graves, que interferem com os cuidados, conclui um estudo liderado por investigadores do Cintesis — Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em parceria com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte.

O objetivo da investigação foi determinar qual o impacto da solidão em idosos seguidos num centro de saúde, tendo sido entrevistadas 150 pessoas, com 65 anos ou mais, de uma zona urbana do Norte de Portugal.

Os resultados revelaram que os idosos que reportam níveis de solidão elevados estão mais frequentemente polimedicados.

«A solidão leva a um aumento do recurso aos serviços de saúde, como comprovamos através da relação desta com o consumo crónico de medicamentos, especialmente entre os idosos com mais de 80 anos de idade», lê-se no estudo, que foi publicado na revista Family Medicine & Primary Care Review.

Segundo os autores «é fundamental que se perceba que a solidão nos idosos leva a maior somatização do seu sofrimento e aumenta o risco de serem sobremedicados».

Nove em cada 10 idosos seguidos nos cuidados de saúde primários sentem algum grau de solidão, sendo que um terço reporta mesmo níveis graves, que interferem com os cuidados 

Por isso, apelam para que se definam «estratégias para reduzir a solidão entre os idosos, como forma de melhorar os indicadores individuais de saúde e diminuir o risco de sobrediagnóstico e de polimedicação».

Medidas simples como procurar companhia, participar na vida familiar e manter rotinas diárias ativas, que assegurem o contacto com outras pessoas, são exemplos de estratégias que podem reduzir a solidão e melhorar a saúde da população mais idosa, exemplificam.

Os investigadores apelam ainda para que sejam «tomadas medidas políticas, legislativas, sociais e de saúde que promovam a manutenção de uma vida ativa após a reforma, de modo a estimular o sentido de utilidade dos idosos, protegendo-os da solidão e das suas consequências em termos de saúde».

Segundo os autores, ter mais de 80 anos de idade, viver sozinho, possuir um baixo nível educacional (menos de nove anos), estar insatisfeito com os rendimentos e ter uma estrutura familiar disfuncional são os principais factores que se associam à solidão.

Em contrapartida, ser casado ou viver em união de facto, e manter uma atividade profissional surgiram como fatores protetores.

O estudo, intitulado «Impact of loneliness in the elderly in health care: a cross-sectional study in an urban region of Portugal», contou ainda com a participação de Gustavo Oliveira (da Unidade de Saúde Familiar Garcia d’Orta) e Luciana Couto (da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto).

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22 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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